quarta-feira, 30 de março de 2011

VISITA TÉCNICA - LAR MARIA CLARA - SSVP.


SOCIEDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO
LAR MARIA CLARA
CNPJ: 19.693.662/0001-12
Rua Joaquim Camargos, 362 – Centro – Contagem – MG
CEP: 32.041-440
Tel.: (31)3398.7189 / 3353-4257
E-mail: larmariaclara@bol.com.br




As barras de apoio foram afixada para melhorar a locomoção dos idosos.



              Rampas de acesso ao segundo pavimento onde fica a sala de fisioterapia, ao fundo a lavanderia, o espaço é muito restrito.



A recepção e sala de  pertences dos Residentes, onde seus pertence ficam guardados pois os quartos são muito pequenos e não comportam armários e é uma forma de controlar o que eles ganham das familias.
Ttodos que passam por aqui tem que ser identificados e guardas seu pertences antes de ter contato com os residente.


Espaço onde os residentes ficam a maior parte do tempo, exercendo suas atividades ao ar livre.
Onde também recebem visitas.


Podemos observar obstáculos para alguns idosos com problemas de locomoção.




Lavanderia, aqui são lavados as roupas do residente, o espçao é peuqeno para atender todo o lar, além d elavar as roupas são esterelizadas.



Lá em cima é a sala de fisioterapia, e oficina de artesanato, onde os residentes exercem as sua atividades. O artesanto produzido por eles é vendido em bazares e ajuda  na renda do lar.



Espaço atrás dos quartos dos residentes que dá acesso aos banheiros e refeitório do lar.


Banheiros do residentes, podemos ver que não atendem todas as exigências de acessibilidade.


Capela do lar Maria Clara.


Aqui os residentesdentes fazem sua orações e agradecimentos.



Refeitório, aqui são servidos 06 refeições diárias, além de ser um local de encontro e reuniões.



Um viveiro de pássaros, uma distração para os residentes.



                                   Dépósito de lixo, ao lado do quarto dos quartos dos residentes.


Depósito de gás.


Pátio e fachada do Lar Maria Clara.


Ao fundo quadro onde ficam os avisos e onde se expoem as atividades desenvlvidas pelos residentes.


Espaço de convivio de alguns idosos.


OBSERVAÇÃO: Para tirar as fotos foi necessário fazer um termo de responsabilidade. Não tive autorização para tirar fotos dos quartos e da enfermaria.

ENTREVISTA

SOCIEDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO
LAR MARIA CLARA
CNPJ: 19.693.662/0001-12
Rua Joaquim Camargos, 362 – Centro – Contagem – MG
CEP: 32.041-440
Tel.: (31)3398.7189 / 3353-4257
E-mail: larmariaclara@bol.com.br

Entrevistada: Sra. Rita Januário da Silva Moraes.
Cargo: Supervisora Geral do Lar Maria Clara (Asilo)
Tempo de atuação: De 1979 á 1991 como voluntária e de 1991 até os dias de hoje como supervisora contratada pela Sociedade de São Vicente de Paulo.

1 – HÁ QUANTO TEMPO EXISTE O LAR MARIA CLARA?

O lar existe desde a década de 50, e era denominado Asilo São Vicente de Paulo, mas em 1996, o asilo foi denominado LAR MARIA CLARA.

2 – QUEM FOI O RESPONSÁVEL PELA DOAÇÃO DO TERRENO PARA A CONSTRUÇÃO DO LAR?

Antes de vir ser um asilo o Conselho particular são Gonçalo, vinculado à Sociedade São Vicente de Paulo, deliberou a favor da construção de uma vila Vicentina para abrigar famílias carentes de Contagem assistidas pela Sociedade. Maria Clara de Jesus, uma senhora socorrida pela SSVP e moradora de um terreno situado á Rua Joaquim Camargos, 362 no centro de Contagem, doou seu lote à sociedade, e no local oito casas foram construídas para abrigar indivíduos socorridos pela SSVP.
Na década de 50 ocorreu a construção de mais algumas casas e passou a ser o asilo.

3 – QUANTOS IDOSOS O LAR RECEBE HOJE?

Hoje temos 60 residentes conosco, sendo homens e mulheres independentes, semi-dependentes e dependentes, mais a nossa capacidade é para atender 64 residentes.

4 – QUANTAS PESSOAS TRABALHAM ATUALMENTE NO LAR?

Hoje contamos com uma equipe de 49 pessoas contratadas divididos em 4 turnos, mas esse número não atende a nossa necessidade.

5 – QUEM SÃO ESSAS PESSOAS?

Nossa equipe conta com muito voluntários, mas que não é sempre que podemos contar. Temos aqui hoje 02 técnicos de enfermagem que fazem plantão de 24 horas, 01 médico que vem ao lar 01 vez por semana, 01 fisioterapeuta vem 01 vez pó semana, 01 terapeuta ocupacional vem 01 vez por semana e 01 assistente social que também vem 01 vez por semana. Esses profissionais são cedidos por convenio celebrado com a prefeitura de Contagem e os demais funcionários são contratados pela SSVP.

6 – VOCÊ DISSE QUE ESSE NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS É INSUFICIENTE POR QUÊ?

Veja só, temos residentes aqui com a saúde muito debilitada que necessitam de internamento, de acompanhamento tais como banho, remédios controlados, troca de fraldas, alimentação especial, etc. Se fossemos contar cada um teria que ter 02 pessoas por conta dele divididos em 02 turnos e ainda assim seria difícil e muito cansativo.
Sem contar as auxiliares de limpeza, as cozinheiras, os porteiros, o motorista, etc.
7 – OS IDOSOS DESENVOLVEM ALGUM TIPO DE ATIVIDADE NO LAR?

Sim, todos eles têm uma rotina aqui no lar de acordo com a necessidade de cada um.
Temos oficinas de pintura, de costura, atividades física com acompanhamento do profissional, alguns residentes vão á escola, fazem artesanatos, toda quarta-feira um grupo sai para dançar forró sempre acompanhado pelo supervisor responsável, 02 vezes por anos levamos todos ao sitio para tomarem banho de piscina, eles vão ao shopping  fazer compras e lanchar, fazemos de tudo para proporcionar o bem estar de todos, não são por que estão velhinhos que não podem fazer atividades e conviver no meio da sociedade.

8 – COMO OS IDOSOS CHEGAM AO LAR MARIA CLARA?

 A admissão dos idosos na instituição se dá após visitas domiciliares ao idoso e entrevista com a família no lar. A aprovação do pedido de admissão só se efetiva, se o idoso manifestar o desejo de vir para a instituição. A última avaliação é feita pela geriatria e não havendo impedimento clínico a admissão ocorre.

9 – AS FAMILIAS PODEM VISITÁ-LOS NO LAR?

Sim, todos podem visitá-los, além das famílias, amigos, pessoas que querem ajudar, qualquer um pode visitar o lar desde que obedeçam as normas internas e não cause nenhum transtorno e mal estar aos nossos residentes e equipe de trabalho, a segurança e o sossego de nossos residentes em primeiro lugar.
O lar tem os dias e horários de visita e para grupos que queiram conhecer pedimos que agendassem com alguns dias de antecedência a sua visita.

10 – COMO O LAR É MANTIDO FINACEIRAMENTE?

Bem a principal fonte mantedora do lar Maria Clara é a Sociedade São Vicente de Paulo, mas recursos advêm ainda de promoções diversas como bailes, noites premiadas, churrascão solidário, doações de campanhas de instituições de ensino, repasse de aposentadoria/pensões dos residentes e contribuições sistemáticas de parceiros da instituição. Além de doações da comunidade e dos nossos voluntários.

11- TODOS OS IDOSOS SÃO APOSENTADOS?

Sim, todos os nossos residentes assim que chegam ao lar entramos com o papeis para conseguir aposentá-los, e esse dinheiro é para uso particular deles, só usamos em caso de extrema necessidade (um remédio diferenciado, um internação, uma cirurgia), no mais o lar arca com todas as outras despesas de nossos residentes.

12 – QUAIS OS CUIDADOS QUE VOCÊS TÊM COM OS RESIDENTES?

Bem cuidamos do bem estar, da saúde, da alimentação, da higiene, fazemos o possível para mantê-los com um pouco de conforto.
Aqui tudo é controlado, o horário dos remédios, os banhos, cada residente toma de 02 á 03 banhos por dia, eles recebem 06 refeições diárias, controlamos as visitas, pois muitos residentes não gostam de barulho, se sentem incomodados com muita gente aqui no lar. Estamos exclusivamente em prol deles, tudo o que está ao nosso alcance fazemos por eles.

13 – E QUANTO A INFRA-ESTRUTURA DO LAR? O QUE FALTA PARA MELHORAR A VIDA DOS RESIDENTES?

Falta muita coisa, não temos mais espaços, os quartos são muito pequenos, não tem ventilação, luz natural, os banheiros são fora dos quartos o que dificulta muito, pois temos muitos cadeirantes isso é um problema na hora do banho, não temos salas para fisioterapia, o nosso refeitório é muito pequeno para atender a todos, precisamos ampliar nossa lavanderia, nosso depósito de material de limpeza, as poucas barras de apoio e rampas aqui no lar foram improvisadas, mas não atendem as normas de acessibilidade. O lar era uma casa antiga que teve que ser adaptada para recebê-los.

14 – EXISTE ALGUM PROJETO DE MELHORIA OU REFORMA DO LAR?

Na verdade recebemos da prefeitura como doação um terreno para a construção de um novo espaço para abrigar o Lar Maria Clara, mas estamos aguardando a burocracia da papelada e também recursos para darmos inicio ao projeto e construção. Não temos ainda um projeto aprovado e nem verba para começarmos.

15 – NO MOMENTO QUAL É A MAIOR NECESSIDADE DO LAR?

Graças á Deus temos recebido muitas doações de pessoas de bom coração, é o que tem ajudado um pouco a suprir algumas necessidades, mas claro que temos sim muita coisa a fazer. Uma das maiores necessidades do lar são com o abastecimento de 04 cilindros de gás por mês, aquisição e revisão de equipamentos, necessidades básicas como produtos de limpeza e higiene pessoal, reestruturar atividades de lazer e convívio social externa ás dependências do lar.



sexta-feira, 25 de março de 2011

População de Minas envelhece e cidades incham.

Com base no universo do Censo 2010, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Centro de Estudos de Políticas Públicas da Fundação João Pinheiro divulgou quinta-feira análise sobre o recorte demográfico do estado, que surpreendeu as expectativas de projeção populacional: na última década, houve queda significativa no crescimento anual da população mineira. Segundo o pesquisador Olinto Nogueira, responsável pelo estudo, a população está envelhecendo mais, enquanto a taxa de fecundidade está reduzida. Outro dado importante mostra que apenas 15% da população no estado é considerada rural.

A análise mostra que a taxa de crescimento demográfico anual foi de 0,91%, entre 2000 e 2010. Nos anos anteriores, esse percentual chegava a 1,5%. A mudança se traduziu ainda em queda da participação da população mineira, de 11% para 10%, no total do país. De acordo com o pesquisador, a retração do crescimento populacional está diretamente ligada à queda na taxa de fecundidade.

“A participação da população de até 4 anos está diminuindo. Isso acontece em decorrência, por exemplo, da urbanização e da inserção da mulher no mercado de trabalho. A estimativa é de que a taxa de fecundidade seja de 1,80 filho por mulher em idade reprodutiva, que vai de 15 a 49 anos, quando a taxa de reposição necessária para manter a quantidade da população seria de 2,1 filhos por mulher”, explicou o pesquisador.

No último censo, a participação da faixa etária de até 4 anos no total da população caiu de 9% para 6,5%. Em contrapartida, a população com mais de 65 anos representa 8,2% (no censo anterior, a taxa correspondia a 6,2%). “Para se ter uma ideia, em 1970, a taxa era de cinco filhos por mulher em idade reprodutiva. A redução nessa taxa é um fenômeno no país todo e apenas o interior da região Norte do Brasil apresenta um número mais alto, em torno de quatro filhos. É possível especular que em Belo Horizonte, por exemplo, esse número seria ainda menor do que em todo o estado de Minas”, afirmou o pesquisador, que ainda espera a amostragem do Censo 2010 para confirmar a suposição.

Segundo a análise da Fundação João Pinheiro, somente quatro estados tiveram taxa de crescimento menor do que a de Minas Gerais: Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Paraíba. Para Olinto Nogueira, houve praticamente uma inversão na população, no que diz respeito à análise da vida no campo. Segundo ele, a maioria dos municípios (80%) perdeu população rural. Cinco deles apresentam taxa de crescimento negativa: Belo Horizonte, Confins e Vespasiano, na Região Metropolitana, São Lourenço, no Sul de Minas, e Santa Cruz de Minas, na Região Central do estado. A análise dos dados do Censo 2010 mostra que 85,3% da população é urbana.

“Isso indica que cerca de 736 mil pessoas deixaram o setor rural no estado, na última década, montante maior que a população total em qualquer outro município, sem contar a capital. Minas sempre foi um estado que mais expulsava população do que recebia, mas o que chama a atenção é que essa não é mais a razão para a redução da população”, disse ele.

A pesquisa também mostra que o município de Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas, foi o que mais cresceu. A taxa chegou a 7% ao ano e a população quase dobrou em 10 anos, passando de 37,5 mil para 73,7 mil em 2010 – um aumento de 96,5%. Em termos urbanos, a cidade conseguiu a 9ª maior taxa do estado. Na população rural, foi a 2ª maior taxa de Minas.

O professor do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Irineu Rangel Rigotti, destaca que os dados indicam um quadro positivo e ao mesmo tempo preocupante para o país. Segundo ele, os números colocam o Brasil diante de uma janela de oportunidades, que pode ser aproveitada ou não.

“Um aspecto positivo é que o governo vai precisar gastar menos recursos para atender a população em idade escolar e poderia aproveitar o momento para investir pesadamente na qualidade da educação, já que temos um déficit muito grande. Por outro lado, a população idosa aumenta velozmente, fazendo com que haja preocupação com as questões de previdência e atendimento em saúde”, explicou Rigotti.

O demógrafo faz um alerta: “Por enquanto, proporcionalmente, a população em idade ativa ainda sustenta os gastos com a previdência dos aposentados. Mas há um hiato nessa questão, em virtude do crescimento da população idosa e da redução da taxa de fecundidade. O governo precisará estar atento ao futuro”, advertiu ele.

Paula Sarapu - Jornal estado de Minas.

Publicação: 25/03/2011 06:46 Atualização: 25/03/2011 07:15

Idosos vítimas de maus tratos são resgatados em Monte Carmelo

Andréia Silva – Jornal Estado de Minas.
Publicação: 24/03/2011 08:03 Atualização:
Três idosos, um homem, de 61 anos e duas mulheres, de 63 e 66 anos, foram resgatadas de uma residência do Bairro Boa Vista, no município de Monte Carmelo, no Alto Paranaíba, onde estavam vivendo em condições subhumanas. As vítimas estavam debilitadas, sobreviviam se alimentando apenas de farinha, pão e água. Os cômodos da casa, onde os três eram mantidos trancados, exalavam mau cheiro. Todo o imóvel estava lotado de lixo, havia roupas sujas espalhadas por todo o lado, urina, fezes e uma infestação de mosquitos e baratas.

Os três estavam sob a responsabilidade dos dois irmãos, os aposentados J.V.C.P., 71 anos, e M.A.C., 68 anos, que foram detidos pela Polícia Militar. Segundo o sargento Demiron de Souza Oliviera, da 157ª Companhia, do 46º Batalhão, eles chegaram até o imóvel para averiguar denúncias de maus tratos, em cumprimento de um ofício, expedido pelo Ministério Público a pedido da Subsecretaria de Direitos Humanos. “Ficamos em estado de choque com a situação em que os velhinhos viviam. Encontramos os três muito debilitados. Eles eram mantidos em estado precário, não havia nem vaso sanitário para fazer as suas necessidade. Tudo era feito no chão, onde passavam todo o tempo”, informou o policial.

Conforme o policial, em um dos quartos havia vasilhas com pães nos quais baratas passeavam livremente. Sobre a pia e móveis foram encontrados pratos com restos de farinha com água. A idosa de 66 anos afirmou que estava fraca pois era somente essa a alimentação que ela e os irmãos recebiam diariamente. Além da falta de higiene, também foi constatado as más condições estruturais do imóvel, que estava com o telhado caindo lado.

Apenas multa

Os idosos foram levado para o Pronto-Socorro Municipal, onde ficaram internados devido o estado grave de desnutrição. Apesar do descaso dos familiares, cada uma das vítimas recebe um salário mínimo de pensão, ou seja, R$ 545 cada um. Somados, os rendimentos das vítimas chegam a pouco mais de R$ 1.600. Os dois irmãos responsáveis pelos maus tratos foram ouvidos e liberados. Eles assinaram apenas um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) e deverão se apresentar a um juizado, podendo receber como punição apenas a ordem para pagamentos de cestas básicas, prestação serviços comunitários ou multa.

terça-feira, 22 de março de 2011

Falta de políticas públicas transforma idosos em problema familiar

Pedro Rocha Franco -
Publicação: 21/03/2011 07:08 Atualização: 21/03/2011 08:07
 
A falta de políticas públicas no Brasil é apontada como um dos entraves que reduz os idosos a um problema familiar. Depois de trabalhar anos e anos, são poucas as benesses conquistadas, como o direito de não enfrentar filas em bancos e órgãos públicos e um lugar prioritário nos ônibus. E o envelhecimento populacional deve se acentuar nos próximos anos. “Se não conquistarmos políticas públicas, também vamos sofrer o mesmo daqui a uns anos”, alerta a presidente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso e do Conselho Municipal do Idoso, Karla Cristina Giacomin, de 43 anos.

Uma ação proposta por ela seria a disponibilidade de cuidadores públicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), para tomar conta dos vovôs e vovós, como ocorre no Canadá. A proposta possibilita que os filhos possam trabalhar e fazer suas atividades diárias. “Hoje, é obrigação da família cuidar dos idosos. O Estado precisa assumir uma parcela dessa responsabilidade”, diz a especialista em geriatra. Ela ratifica que muitas vezes a pessoa que cuida do idoso não escolhe estar naquela situação e sente-se estressada com a obrigação.

Em janeiro, por meio de uma portaria do Conselho Municipal do Idoso, teve início um diagnóstico que visa garantir melhorias no dia a dia dos senhores e senhoras de cabelos brancos. A proposta é elaborar um documento sobre a situação deles, para identificar os locais mais críticos em número de quedas e atropelamentos de idosos na capital e, a partir daí, criar políticas públicas voltadas para garantir melhorias para a faixa etária.

De acordo com projeções de crescimento populacional, até 2040, um em cada quatro brasileiros será de idosos, estando à frente do número de crianças, e é preciso adaptar as cidades a essa realidade. “Temos de parar de fingir que não vamos ficar velhos”, diz Karla.

Aumenta a violência contra idosos em BH


Pedro Rocha Franco -
Publicação: 21/03/2011 06:20 Atualização: 21/03/2011 07:49



 


"É esperar Deus ajudar para ele voltar para casa. Está me fazendo uma falta danada", Ana Francelina, pensionista        

Suportar o comportamento agressivo do filho mais uma vez ou vê-lo atrás das grades. Por seis dias, a dúvida tirou o sono da pensionista Ana Francelina, que conseguiu coragem e forças para denunciar o filho à polícia. Aos 103 anos, ela clamou por socorro aos vizinhos, para que chamassem a Polícia Militar e contivessem a baderna feita pelo caçula dos 11 filhos. Depois de beber “água batizada”, ou simplesmente cachaça , Geraldo da Cruz Pereira, de 47, aprontou uma bagunça na casa e ameaçou pôr fogo num botijão de gás e explodir a casa com a família dentro. “Fiquei com medo de ele fazer alguma arte”, diz a senhora centenária. Casos como o da família Pereira se repetem diariamente em Belo Horizonte. Estatísticas da Secretaria Estadual de Defesa Social (Seds) mostram a ocorrência de cinco agressões a idosos por dia na capital, chegando a 1.817 no ano passado, fora os casos de subnotificações.

As ocorrências vão desde simples ameaças até casos de lesão corporal, calúnia e até assédio sexual, homicídio e estupro. Mas, como a maioria dos casos de violência contra idosos têm envolvimento de familiares, eles se sentem acuados em denunciar os agressores e preferem continuar convivendo com o problema a ver o agressor ser punido. Ainda assim, seja pelo aumento da população idosa, das ocorrências ou mesmo da coragem em denunciar, os registros têm aumentado: os números mostram que as denúncias feitas em 2010 superam em um terço as registradas entre 1999 e 2001, somando três anos.

Até hoje, quatro meses depois de o filho ser preso – ele estava foragido da Justiça por tentativa de homicídio –, Francelina não sabe se fez o certo e, provavelmente, desconhecia o rumo que o filho iria tomar. “Fiz novena para ele voltar. É esperar Deus ajudar para ele voltar para casa. Está me fazendo uma falta danada”, fala dona Ana, com seu cachimbo na mão e lenço na cabeça, que ela usa para disfarçar a idade. À época do fato, ela resumiu o que sentia no momento do registro do boletim de ocorrência: “Apesar de tudo, não posso falar nada contra ele. Mãe é mãe”.

Ameaças
Nascida em 26 de julho de 1907, Ana Francelina morava sozinha com o filho no Aglomerado da Serra e dependia dele para tarefas diárias. Mas, ao vê-lo quebrar objetos numa sequência enfurecida, teve de tomar uma decisão que, muitas vezes, os pais não têm coragem, tornando-se um caso emblemático em Minas, por ser a idosa mais velha a queixar-se na polícia. “Na maioria das vezes, a denúncia não é feita”, adverte a titular da Delegacia Especializada de Atendimento ao Deficiente e ao Idoso, Joana Margareth Penha.

Ela relata que os casos mais recorrentes são os de ameaça e lesão corporal e estão relacionados ao consumo de drogas e álcool. “O caso mais emblemático é quando um casal se separa por conta de desavenças e o filho retorna para a casa dos pais. Aí começa a usar o dinheiro da pensão da mãe para pagar despesas com drogas e álcool. Ou seja, a ex-mulher se livrou de um problema, mas ele não acabou. Agora é do idoso”, diz a delegada.

Invisíveis

Essa condição, segundo especialistas, revela a invisibilidade do idoso. Suas vontades e direitos têm pouca relevância para os filhos e netos e o uso indevido do dinheiro é só o primeiro fator de uma bola de neve que se cria aos poucos. Na sequência, é registrada uma agressão verbal até chegar à violência física e, em alguns casos, aos crimes tipificados como violentos – homicídio. “Quando a gente é velho, fica cada um por si. As pessoas acham que a velhice e a incapacidade física nunca vão chegar para ela”, afirma a presidente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso e do Conselho Municipal do Idoso, Karla Cristina Giacomin.


Médica especializada em geriatria, ela alerta que é preciso não tolerar a violência e recriminar todas as suas formas. Das mais brandas aos casos mais graves. E considera inclusive a discriminação como uma das formas de violência. “Quando se fala que o idoso não tem direito a opinar, já o estão agredindo”, diz.

Aposentada cai no mesmo golpe três vezes em uma semana em SP


Estelionatários diziam à vítima que parente tinha se envolvido em acidente.
Dois criminosos foram presos em flagrante.

Do G1 SP -
22/03/2011 07h10 - Atualizado em 22/03/2011 07h29

Uma aposentada de 84 anos perdeu R$ 13 mil em uma semana em um golpe aplicado por quatro estelionatários. Por telefone, os criminosos disseram à idosa que uma sobrinha dela havia se envolvido em um acidente de carro e precisava de dinheiro para tirar o carro da oficina.
Em outros dois telefonemas, os estelionatários disseram que a sobrinha da vítima teve que dar entrada em um hospital e precisava de verba para arcar com o tratamento. Uma integrante do grupo se identificava como a sobrinha da idosa.
Após dar dinheiro para os criminosos por três vezes, a idosa, acompanhada por parentes, procurou a polícia. Enquanto conversava com os policiais, ela recebeu várias ligações solicitando mais dinheiro.
Orientada pela polícia, ela marcou um encontro com um motociclista para entregar o dinheiro. Ele apareceu no local combinado e acabou sendo preso em flagrante. Segundo a vítima, era ele que a acompanhava até o banco para que ela retirasse o dinheiro.
Um homem que agia com ele também foi detido. Eles vão responder por crime de extorsão e formação de quadrilha. Os outros suspeitos ainda não foram presos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

DENÚNCIAS CONTRA MAUS TRATOS IDOSOS

Jornal Futura Reportagem Idosos Mercado de Trabalho

Asilo que abriga idosos em condições desumanas é lacrado na Grande BH


Plantão | Publicada em 09/06/2010 às 21h41m
Globo Minas


 
BELO HORIZONTE - Idosos foram encontrados em estado de abandono em um asilo, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a fiscalização da PM e da Prefeitura, o local não oferecia as mínimas condições de higiene. A casa foi lacrada, mas os 35 idosos e portadores de necessidades especiais que moram no local, por falta de um abrigo público na cidade, irão continuar na residência.
A denúncia à Polícia Militar partiu do Ministério Público. No local havia suspeita de que os moradores viviam em situação precária e seriam vítimas de maus tratos.
Na residência, seis idosos dormem em um cômodo de apenas 10 metros quadrados. A cozinha da casa também virou quarto, mas está sem luz. O corrimão, usado para quem ter dificuldade de locomoção, está solto. Além disso há fiação exposta, infiltrações e um dos quartos alaga quando foge. O banheiro é dividido entre homens e mulheres. Não há ralo no chuveiro e o chão é cheio de sujeira.
No quintal há móveis velhos, cadeiras de rodas e eletrodomésticos velhos, além de roupas espalhadas.
- Falta higiene. Tem as questões de saúde, estrutura física incompatível no local. Há muito mofo, sujeira, falta de lavanderia, falta segurança e os asilados andam descalços com feridas expostas - diz Cárita Borges, fiscal da Prefeitura
Além de todas as irregularidades, a documentação do asilo também não está em dia. Um alvará de funcionamento está vencido e o outro, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sequer existe.
A casa foi lacrada e os donos têm 30 dias para regularizar a situação. A Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que vai tentar localizar as famílias dos internos pra que eles sejam removidos. E também vai tentar a transferência dos outros idosos para asilos da região. Uma outra dona do asilo não quis gravar entrevista.

Asilos de BH podem ser fechados por falta de infra-estrutura.


Publicação: 17/12/2010 09:37 Atualização: 17/12/2010 09:52 

Infraestrutura precária, falta de profissionais especializados, descaso no atendimento médico e na distribuição de medicamentos e problemas de higiene. Devido ao repasse insuficiente de recursos por parte da Prefeitura de Belo Horizonte, asilos da capital podem fechar as portas no ano que vem. O déficit dos lares de idosos chega a R$ 40 mil por mês dependendo da unidade, o que obriga os diretores a buscarem fontes alternativas de arrecadação para impedir o fechamento. Ontem, cerca de 40 representantes das instituições estiveram na prefeitura para entregar ao prefeito Marcio Lacerda (PSB) carta denunciando más condições dos abrigos.

O município repassa somente R$ 184 por mês para custeio de cada idoso, mais a alimentação. Além do déficit no total destinado aos asilos, o montante para as refeições é pouco mais de R$ 2 diários por pessoa. Segundo o secretário municipal de Políticas Sociais, Jorge Nahas, somado o valor dos alimentos, a prefeitura aumenta o gasto em cerca de R$ 70 por idoso. O secretário municipal de Comunicação Social, Régis Souto, argumenta que o custo da produção de uma refeição nos restaurantes populares é de R$ 4, ou seja, o total repassado seria suficiente para custear meio prato de almoço ou metade do café da manhã.

Na capital há 25 asilos, que atendem 805 idosos, mas só 18 têm convênio com a prefeitura. Cálculos mostram que o município contribui com menos de um quinto do valor necessário para cada idoso. A estimativa é de que os gastos variam entre R$ 1 mil e R$ 1,8 mil por mês. O pedido dos representantes é que a PBH assuma o pagamento desta quantia. Com isso, seriam necessários aproximadamente só R$ 1,2 milhão dos cofres públicos. “É um dever do poder público, que não é cumprido”, diz a secretaria do Conselho Estadual do Idoso, Silvânia Barrozo. A previsão dela é de que no próximo ano pelo menos quatro unidades sejam fechadas por falta de verbas. “São entidades filantrópicas. Ninguém quer embolsar recursos”, diz.

ESTATUTO

A planilha de custos do Lar Santo Antônio de Pádua, em Venda Nova, por exemplo, mostra que a prefeitura arca só com 16,53% do total gasto mensalmente com 38 idosos. A contribuição insuficiente obriga a busca por outros recursos, como produção de festas, promoções, leilões, bazares, venda de bens móveis e imóveis doados e a coleta de dinheiro.

Devido ao problema, o asilo não assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público, prevendo a contratação de profissionais graduados para atender os idosos e outras melhorias na estrutura da unidade. Segundo o diretor da instituição, Ernani Gonçalves dos Santos, não há condição de cumprir o que foi pedido, dada a falta de recursos e o prazo insuficiente. “O poder público não faz sua parte e, assim, não temos como assumir”.

De acordo com o Estatuto do Idoso, a unidade deveria contar com terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogos e assistentes sociais, mas o lar só tem no quadro de funcionários um dos especialistas. Caso fosse feita a contratação de todos, as despesas aumentariam em mais de R$ 10 mil.

Segundo o secretário municipal Jorge Nahas, a prefeitura estuda apresentar uma proposta para aumentar o repasse, mas não informa quanto será. “Vamos elaborar um diagnóstico do custo dos idosos e das condições das estruturas físicas dos asilos”, diz, mas admite não haver verba prevista para este fim no orçamento do ano que vem.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Bem Receber Copa

Projeto "Bem Receber Copa" é lançado em BH com novidades

© Divulgação Bem Receber Copa - Divulgação Bem Receber Copa
Na manhã da última quarta-feira (02), no auditório do Senac Minas no centro da capital, o projeto "Bem Receber Copa" foi apresentado pela ABETA - Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura - em um seminário para cerca de 80 pessoas. Empresários e profissionais do trade turístico em Minas Gerais estavam presentes. O projeto tem a missão de qualificar e certificar profissionais que já atuam no setor para dar mais segurança e credibilidade nos serviços oferecidos para os visitantes de todo o mundo.


Utilizando a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, como gancho, a ABETA, em parceria com o Ministério do Turismo, lançou o projeto que irá beneficiar cerca de 8.000 profissionais do Ecoturismo e do Turismo de Aventura em todo o país.


Segundo o presidente da ABETA, Jean Claude Razel, além da qualificação de todos que irão trabalhar durante o maior evento do esporte, o mais importante é o a Copa irá deixar para o país. "Um intenso trabalho será realizado para qualificação de pessoas no Ecoturismo. Serão cerca de 8.000 trabalhadores beneficiados. Mas o importante é o legado que a Copa vai deixar", afirma Jean.


A ABETA irá ministrar os cursos em vários locais no Brasil, já a partir desse ano. Serão cursos nas áreas de gestão empresarial, de condutores das áreas de preservação e gestores de unidades de preservação. A entidade irá oferecer todos os cursos gratuitos, o que de certa forma irá incentivar ainda mais os profissionais do setor a se qualificarem e buscar uma melhor profissionalização do turismo no Brasil.



Fonte: http://www.descubraminas.com.br/Noticia/NoticiaDetalhe.aspx?cod_noticia=2147

O ecoturismo como alternativa de desenvolvimento sustentável

O mundo vê hoje o ecoturismo como uma forma de se alcançar altos lucros. Entretanto, tal concepção gera preocupação de não se ter a sustentabilidade tanto cultural, social, natural e econômica do local onde se vai desenvolver a atividade. Pois sem um planejamento adequado, às conseqüências serão impactos negativos para a comunidade receptora e para o ecossistema local. A atividade ecoturística, deve levar em consideração um planejamento adequado para o local, que contribuirá para a diminuição dos impactos ambientais causados na fauna e flora..
O crescimento do ecoturismo no Estado do Pará provoca a necessidade de levar ao conhecimento dos paraenses e do Brasil, a necessidade de se conservar a natureza, onde não apenas aqueles que estão envolvidos no Turismo se preocupam com o seu futuro, pois a cada dia muitos se envolvem com a questão e precisam conhecer um pouco mais o que a atividade ecoturística deve fazer para utilizar os recursos naturais e culturais de maneira sustentável.
Assim o objetivo deste artigo, é apresentar a todas as pessoas que estão envolvidas no contexto do ecoturismo, a relação de preservação versus desenvolvimento, através de atividades ecoturísticas. A metodologia será a qualitativa, pois a observação dos fenômenos sociais, implica a participação do pesquisador no universo onde ocorre o fenômeno escolhido (DENCKER, 1998, p.97). Neste trabalho, usou-se levantamento bibliográfico referente a desenvolvimento sustentável e ecoturismo.
Com isso, através do levantamento bibliográfico e sua interpretação, foi possível elaborar este artigo: "O ecoturismo como alternativa de desenvolvimento sustentável", pois tivemos a base teórica necessária para propiciar uma visão daquilo que pode ser benéfico para a sociedade em relação às atividades ecoturísticas.
O artigo após iniciar com a Introdução, aborda em seguida no Desenvolvimento do Tema com dois tópicos, são eles: Os conceitos de ecoturismo X Desenvolvimento sustentável, onde se desenvolvem os conceitos dos mesmos; e Atividades ecoturísticas que utilizam a alternativa do desenvolvimento sustentável, que além de mostrar as características dos projetos, também coloca a relação deles com o desenvolvimento sustentável. E na conclusão do artigo, estão as Considerações Finais, descritas pelo autor, que busca acima de tudo contribuir para o debate acadêmico sobre o ecoturismo e o desenvolvimento sustentável.
Os conceitos de ecoturismo X Desenvolvimento sustentável
O termo "ecoturismo" teve sua origem na década de 60 do século passado, pois foi usado para "explicar o intricado relacionamento entre turistas e o meio ambiente e culturas nos quais eles interagem" (HETZER, 1965 apud FENNELL, 2002, p. 42). Hetzer ainda identificou quatro características fundamentais a serem seguidas pelo ecoturismo, são elas: "(1) impacto ambiental mínimo; (2) impacto mínimo às culturas anfitriãs; (3) máximos benefícios econômicos para as comunidades do país anfitrião; e (4) satisfação "recreacional" máxima para os turistas participantes" (apud FENNELL, 2002, p.42). Com isso, o conceito de ecoturismo se desenvolveu, pois as sociedades passaram a se preocupar com os impactos negativos que praticavam ao meio ambiente, colocando em discussão novas formas de se praticar uma forma mais responsável de Turismo, por exemplo, o turismo relacionado ao meio ambiente e culturas de uma sociedade.
Após a publicação do Relatório de Brundtland em 1987, que teve como finalidades fazer um balanço do desenvolvimento econômico em nível mundial, destacar as principais conseqüências sócio-ambientais desse modelo de desenvolvimento, e propor algumas estratégias ambientais de longo prazo visando um desenvolvimento sustentável (CMMAD, 1991 apud SOUZA, 1994), o mundo tem buscado novas alternativas de enfatizar o desenvolvimento sustentável, pois tanto sua teoria quanto sua prática ainda estão em processo nas várias áreas do conhecimento. No Turismo umas das alternativas de desenvolvimento sustentável têm sido buscadas através do ecoturismo. Segundo Wearing e Neil, o ecoturismo surgiu, "[...] para oferecer uma opção de desenvolvimento sustentável a [...] comunidades [...], proporcionando um incentivo para conservar e administrar as regiões naturais [...] pode ser uma alternativa à extração voraz de recursos florestais [...]" (2001, p. VII - VIII).
Os autores caracterizam o ecoturismo como sendo a resposta aos problemas causados pela falta de um desenvolvimento sustentável, mostrando assim ser a alternativa possível. Isto porque os autores consideram que o ecoturismo pode vir a diminuir a exploração dos recursos florestais, gerar lucro e receita para administrar as áreas de proteção, e dessa forma, efetivar o discurso do desenvolvimento sustentável.
Para Lindberg e Hawkins ecoturismo, "é satisfazer o desejo que temos de estar em contato com a natureza, é explorar potencial turístico visando à conservação e desenvolvimento, é evitar o impacto negativo sobre a ecologia, a cultura e a estética" (1999, p. 18). Os autores tentam explicar que o contato do ser humano com a natureza, causa impactos de várias formas e por isso o ecoturismo deve centralizar seus esforços na conservação e desenvolvimento do meio ambiente. Mas é claro que alcançar esse objetivo não é fácil, pois o impacto negativo provocado pela exploração turística pode, por exemplo, extinguir algumas espécies de animais silvestres.
Mas para Molina o autêntico ecoturismo, "não é um produto a mais no mercado [...] sim [...] um turismo de nova geração, regido por um conjunto de condições que superam a prática do turismo convencional de massas" (2001, p. 160). O autor destaca que o ecoturismo é uma nova concepção de Turismo que supera as práticas convencionais, considerando-o como novo, devido às características que apresenta de conservação e educacional. Isto não quer dizer que o mesmo deixe de precisar dos serviços básicos existentes no Turismo de massas. Entretanto, tais serviços devem ter funções diferentes, ou seja, um planejamento que esteja adequado às condições da realidade local.
Wearing e Neil (2001), afirmam que o ecoturismo envolve quatro elementos fundamentais, 1) noções de movimento ou viagem (a área deve ser o mais natural possível); 2) baseia-se na natureza; 3) induz à conservação; 4) tem papel educativo. Esses fundamentos priorizam a idéia de mitigar impactos ao meio ambiente e conscientização ambiental. Os princípios básicos que esses autores colocam são vários, tais como estimular a compreensão dos impactos do Turismo sobre o meio natural, cultural e humano. Entretanto o que se pode destacar é a busca por tomada de decisões planejadas em todos os segmentos da sociedade, inclusive com o envolvimento das populações locais, de modo que o Turismo e outros usuários dos recursos naturais e culturais possam utiliza-los considerando que eles têm uma finitude.
Em se tratando de ecoturismo, Ruschmann considera como sendo estruturais para o desenvolvimento sustentável dos recursos ou localidades turísticas, as seguintes medidas, "[...] determinar restrições de acesso e desenvolvimento; impor cotas ou custos extras que limitem a instalação de equipamentos receptivos; delegar poder de decisão às autoridades competentes, responsabilizando-as [...] pelas decisões que envolvem o desenvolvimento" (1994, p. 35). Essas medidas colocadas por Ruschmann, buscam dar uma base para se formar um desenvolvimento sério do ecoturismo, pois somente através de critérios técnicos - científicos não surgirão planos de desenvolvimento, como ocorreu na década de 60 do século passado na Amazônia, impostos pelo Governo Federal e portanto sem o envolvimento das comunidades.
O ecoturismo pode ser caracterizado também como sendo um meio para o aumento da compreensão dos valores ambientais. Isto devido à mudança do modo como a natureza é vista pela sociedade. Para se alcançar um equilíbrio entre ser humano e natureza, é preciso verificar a sustentabilidade, a conservação e o fortalecimento da comunidade receptora de atuação do ecoturismo. Esses seriam alguns princípios básicos a se seguir.
A demanda de Turismo para áreas naturais e selvagens é grande, e continua a crescer, porém, os empresários que exploram a atividade do Turismo nessas áreas, não se preocupam em incluir no planejamento das atividades, a comunidade local. O ideal seria que as comunidades dos locais explorados, tivessem participação efetiva do desenvolvimento da atividade. Isso devido na maioria das vezes, haver o perigo da imposição cultural dos turistas que irão freqüentar o local das atividades turísticas.
Para se buscar uma nova abordagem da atividade turística, o ecoturismo é de fundamental importância, já que oferece um meio alternativo às práticas operacionais do Turismo. O ecoturismo não será uma nova "indústria" praticada na natureza, mas sim uma forma de dar vivência ao indivíduo ou grupo, afetando suas atitudes, valores e ações nesse ambiente. Com isso, pretende-se conduzir as pessoas a manterem os ambientes naturais e fortalecer as comunidades receptoras, objetivando a sustentabilidade e conservação de ambos.
Contudo, apesar do ecoturismo ser uma ferramenta a favor do desenvolvimento sustentável, algumas comunidades não têm obtido os benefícios esperados, pois o objetivo colocado em prática tem sido o lucro imediato e não o desenvolvimento através dos princípios defendidos pelo ecoturismo. Esse problema ocorre não apenas com empresários, mas também com governos de países que vêem no ecoturismo uma solução para os problemas de desenvolvimento, ou seja, usam-no para suprir a falta de empregos e conseguir capital para infra-estrutura. Dessa forma, se faz necessário elaborar novas estratégias de gestão, para separar o ecoturismo do turismo de massa, pois esta é a visão que alguns países têm sobre o mesmo, não observando a participação da comunidade local nesses planos.
Sobre esta questão Neiman critica o ecoturismo, pois "de nada adianta fazer ecoturismo [...] se não há estudos de capacidade de suporte [...] infra-estrutura adequada e não - impactante, [...] normas que regulamentem e excluam empresas especializadas [...]" (2002, p. 178). Assim, entende-se que é preciso cumprir várias etapas antes de se ter o ecoturismo funcionando de maneira correta e como alternativa do desenvolvimento sustentável, pois os elementos colocados pelo autor, ainda não estão vigorando e talvez demore de acontecer, assim o ecoturismo não irá se desenvolver, pois enquanto esses dilemas prevalecerem tudo permanecerá igual. Para alcançar todos os aspectos levantados por Neiman, é preciso iniciar estratégias de planejamento para poder alcança-los.
Pode-se perceber que o desenvolvimento sustentável é o tipo de desenvolvimento que pode se buscar no ecoturismo, pois são conceitos correlatos, visto que a definição e o fim de ambos estão interligados, propiciando desde então mecanismos para o desenvolvimento das comunidades. Esses mecanismos seriam as estratégias e planos elaborados pelos empresários e governos, baseados na sustentabilidade e conservação utilizados no ecoturismo, que tem por objetivo a participação das comunidades locais nesse processo, causando assim o desenvolvimento sustentável para todos os envolvidos.
Atividades ecoturísticas que utilizam a alternativa do desenvolvimento sustentável
Podemos citar assim, como exemplo de uma atividade ecoturística voltada para o desenvolvimento sustentável, o Projeto Mamirauá onde a sustentabilidade tem dado certo com o desenvolvimento da economia local. Pois a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá foi a primeira unidade de conservação desta categoria implantada no Brasil, em 1997, sendo fundada pelo biólogo José Márcio Ayres, mas seu início se deu em 1990 como uma Reserva Ecológica. Agora a mesma é um Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (2004), devido decreto de 7 de julho de 1999, tendo como dois de seus principais objetivos promover o desenvolvimento sustentável em articulação com a população local e também conservar e preservar o meio ambiente Amazônico na Região do médio Solimões, onde está localizado o projeto.
Segundo Lemos (1996, p. 151), o ecoturismo é "[...] a rede de serviços e facilidades oferecidas para a realização do turismo em áreas com recursos turísticos naturais, sendo considerado também um modelo para o desenvolvimento sustentável da região". Mas é preciso levar em consideração vários aspectos importantes no desenvolvimento do ecoturismo, como por exemplo, integrar o turismo ao meio ambiente mediante uma arquitetura adaptada; preservar e valorizar o patrimônio natural, histórico e cultural das comunidades no qual a atividade seja desenvolvida; deve haver a participação das comunidades locais e a conscientização das populações locais, empreendedores turísticos e dos turistas da necessidade de proteger o patrimônio como um todo.
O potencial de uma atividade ecoturística, também pode ser visto no Estado do Amazonas, pois o ecoturismo como meio de sustentação da comunidade do município de Silves está sendo beneficiada desde 1994, com a construção de um hotel através da Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (ASPAC) e a World Wildlife Fund (WWF), chamado de Aldeia dos Lagos, que se tornou auto-sustentável gerando um lucro de R$ 25 mil, causando assim investimentos no manejo e fiscalização da reserva dos lagos que compõem a região. Este projeto visou dessa forma, recuperar e conservar os estoques de peixe que estava ameaçada pela pesca comercial (WWF, 2004). Essa iniciativa, somente reforça a idéia que projetos de ecoturismo bem planejados, executados e monitorados, com o apoio de Organizações Não - Governamentais (ONG), empresários conscientes de seu papel na sociedade e o envolvimento da comunidade, proporcionam realmente a estratégia de desenvolvimento sustentável.

Considerações Finais
Na atualidade o Turismo é uma das atividades econômicas mais importantes, onde se destaca o segmento do ecoturismo. Este por sua vez torna-se uma atividade que tem direta relação com o desenvolvimento sustentável, haja vista que ele tem interdependência com os setores econômicos, sociais, ambientais e culturais, objetivando a preservação dos recursos naturais e culturais, com vista a garantir a sustentabilidade da comunidade local onde é desenvolvido.
Com base nas colocações acima mencionadas, este artigo apresentou através dos dois exemplos das atividades ecoturísticas, como o Projeto Mamirauá e a Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (ASPAC), a visão de que estes projetos contribuem com a sustentabilidade da sociedade em que atuam, pois buscam utilizar os princípios do ecoturismo como uma alternativa do verdadeiro desenvolvimento sustentável, caracterizado em suas ações como: recuperar e conservar os estoques de peixe que estavam ameaçados e também conservar e preservar o meio ambiente das comunidades locais do seu entorno.

Fonte:http://www.revistaturismo.com.br/artigos/eco-desenvsust.html