domingo, 24 de abril de 2011
Projeto aumenta percentual de moradias do Minha Casa, Minha Vida para idosos
Prado ressalta que a população com mais de 65 anos costuma ser preterida em financiamentos habitacionais tradicionais. Dessa forma, na opinião do parlamentar, o Estado deve assegurar condições especiais para a aquisição da casa própria pelos idosos. "Se o governo pretende realmente demonstrar que está preocupado com a solução dos problemas habitacionais das pessoas com idade mais avançada, nada mais justo do que elevar o percentual de moradias destinadas a esse público".
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Desenvolvimento Urbano; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Avanço da AIDS na terceira idade.
Entrevista com o Dr. Jean Carlo GorinchteynMédico do Instituto de InfectologiaEmilio Ribas e do Hospital São Camilo-Pompéia - SP e
Mestre em Doenças Infecciosas pela Coordenação do Instituto de Pesquisa da Secretaria
do Estado da Saúde de São Paulo – SP.
Vários fatores têm culminado no aumento de idosos contaminados pelo vírus HIV, como alterações no comportamento sexual surgidas com o lançamento de drogas para disfunção erétil. Para confimar a suspeita, o Ministério da Saúde realizou uma pesquisa em 2002, a qual revela que67% da população entre 50 e 59 anos de idade se diz sexualmente ativa; aqueles acima de 60 anos, 39% afirmam ter vida sexual. Esses resultados levam a necessária e urgente discussão sobre o avanço da Aids nesse público tão esquecido pelas campanhas de prevenção e visivelmente discriminado pela sociedade.
A revista Prática Hospitalar entrevistou o médico Dr. Jean Carlo Gorinchteyn, infectologista do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, com larga experiência no tratamento de pacientes com Aids na terceira idade. Durante a entrevista, o médico abordou o impacto da doença nessa faixa etária, as principais dificuldades para tratar esses pacientes, os cuidados e a necessidade de uma equipe multidisciplinar para tratá-los, além dos preconceitos, falta de apoio e abandono dos familiares. A seguir, os destaques da entrevista.
Prática Hospitalar - Qual o impacto da Aids na terceira idade?
Dr. Jean Carlo Gorinchteyn - A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua, para os países em desenvolvimento, o idoso como sendo toda pessoa com idade igual ou superior a 60 anos. Ao longo da epidemia de Aids observou-se considerável elevação da incidência de pacientes neste grupo etário, representando nos dias de hoje cerca de 2,4% do total de pacientes contaminados. Isto se deve, sobretudo, à não inclusão deste grupo nas campanhas de prevenção, fazendo-os sentir-se à margem dos riscos de contaminação.
O impacto da Aids nesse grupo etário não representa apenas o diagnóstico da doença, mas o fato de se trazer à tona certos hábitos até então não revelados, como a sexualidade, escondida na pele enrugada e nos cabelos brancos, onde a libido é traduzida pelo preconceito.
P. H. - Qual o número de pacientes infectados com HIV na terceira idade?
Dr. Jean Carlo - Estima-se que existam cerca de 600.000 pacientes HIV/Aids contaminados em todas as faixas etárias, correspondendo a cerca de 14.000 pacientes com idade igual ou superior a 60 anos.
P. H - Em geral, como se dá a contaminação destes pacientes?
Dr. Jean Carlo - A contaminação destes pacientes ocorre, fundamentalmente, por relações sexuais, das quais as hetero e bissexuais são mais freqüentes, representando 43% dos 75% do total de casos relacionados a transmissão sexual. A contaminação por sangue/hemoderivados e as relações sexuais homossexuais foram comuns no início na década de 1980, com modificação semelhante à observada em pacientes adultos jovens, quando houve heterossexualização da epidemia.
P. H. - Quais fatores contribuíram para o aumento do número de pacientes com Aids nesta faixa etária?
Dr. Jean Carlo - A não inclusão deste grupo etário em campanhas de prevenção fez com que estas pessoas se sentissem à margem dos riscos de serem contaminadas pelo HIV, e assim continuassem se expondo desprotegidas em suas relações sexuais. É importante lembrar que o preservativo, para este grupo etário, por se tratar de artefato pouco utilizado ao longo de suas vidas, acaba por configurar dificuldade técnica na suautilização. Alia-se ao seu conceito, meramente anticonceptivo, e ao receio de perda de ereções efetivas, que resultam no seu desuso. Atualmente, a utilização de drogas corretivas de distúrbios eréteis passou a ser fator relevante, encorajando-os no aumento do número de exposições sexuais, com conseqüente desproteção, fato que repercutirá, futuramente,na elevação das estatísticas de HIV/Aids.
P. H. - Quais doenças podem estar associadas ao HIV nesta faixa etária?
Dr. Jean Carlo - As doenças oportunistas que acometem o indivíduo idoso são as mesmas que acometem um adulto jovem, porém o grande problema é que algumas delas, como a pneumocistose, por exemplo, podem passar despercebidas pelo clínico, frente aum paciente idoso semconhecimento da positividade sorológica para o HIV, que, possivelmente, a considerará como se tratandode uma pneumonia grave em paciente debilitado. O mesmo ocorreria nos quadros demenciais que poderiam ser tratados como um quadro de demência de outra etiologia, que não aquela relacionada ao HIV,não diagnosticando ou postergando o tratamento específico, comprometendo, assim,o prognóstico deste doente.
Isto poderia justificar as baixas cifras brasileiras em comparação àquelas apresentadas pela literatura americana, que revela haver cerca de 4% do total de casos de pacientes idosos. Deve-se, porém, salientar que para países desenvolvidos, a OMS considera como idosos aqueles indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos.
P.H. - Qual a dificuldade de tratar essas doenças?
Dr. Jean Carlo - A dificuldade de tratar este grupo etário é a presença de doenças metabólicas e do próprio envelhecimento, que comprometem a escolha da terapêutica anti-retroviral, especialmente pela necessidade de utilização de drogas anti-retrovirais promotoras deefeitoscolaterais, como toxicidade mitocrondial elipodistrofia, o que agravaria as alterações preexistentes. Alia-se ao fato quemuitospacientes têm seu diagnóstico estabelecido tardiamente, apresentando-se com doenças oportunistas, elevando-se, assim,os índices de morbimortalidade e dos interferentes do próprio tratamento.
P. H. - Como deve ser a abordagem ou cuidados no tratamento destes pacientes?
Dr. Jean Carlo - Os pacientes idosos devem merecer atendimento pormenorizado, respeitando-se não só suas limitações físicas, como necessidades individuais, preocupando-se, inclusive, com suporte psicológico e social. A abordagem multidisciplinar é de fundamental importância, devendo-se ter retornos clínicos e exames laboratoriais periódicos, com intervalos mais curtos, além demétodos de diagnóstico de apoio mais específicos, como por exemplo densitometria óssea, além daqueles de avaliação virológica e imunológica. A avaliação psicológica, da assistentesocial e nutricional são, igualmente, importantes para detectar eventuais condições que comprometam o sucesso do tratamento instituído.
P. H. - Por que estes pacientes nunca estiveram no foco das campanhas de prevenção?Dr. Jean Carlo - As campanhas veiculadas pela mídia para conscientização da necessidade de sexo protegidoforam de fundamental importância na modificação de práticas sexuais nas várias categorias de exposição, especialmente para os homossexuais, que modificaram seus hábitos, não só comuso de preservativo, como com a redução do número de parceiros nas suas relações, tendo como conseqüência o declínio no número de pacientes HIV/Aids deste grupo. Por outro lado, houve elevação de pacientes pertencentes a outras categorias, como os heterossexuais, que se consideravam distantes dos riscos por acreditarem se tratar de doença relacionada à homossexualidade. É importante lembrar que a Aids fora considerada no início da epidemia como sendo “epidemia gay”. Isso resultou na necessidade de readequação das campanhas publicitárias, expondo claramente os riscos também para este grupo.
A utilização de jovens nas propagandas impede, ao idoso, a percepção de ser, também ele, de risco para contrair o vírus do HIV, afastando-o, assim, dessa realidade. De certa forma, isto se traduz pela dificuldade de tocarpublicamente em questões de sexualidade do idoso, até então silenciosa, como suas preferências e práticas sexuais. Trata-se de um grande tabu, que esbarra no preconceito, não só da sociedade geral, como por parte dos próprios idosos.
P. H. - O tratamento para o HIV é o mesmo para esta faixa etária?
Dr. Jean Carlo - O tratamento de idosos com HIV/Aids é, absolutamente, semelhante àquele instituído aos pacientes de outras faixas etárias, exceto a faixa etária pediátrica, onde algumas drogas não são utilizadas. A escolha da terapêutica anti-retroviral deverá considerar as condições clínicas, imunológicas e virológicas do paciente por ocasião do diagnóstico, assim como considerar a presença de co-morbidades, sejam estas oportunistas ou não, como diabetes, dislipidemias, hipertensão arterial, etc., visando, assim, reduzir os riscos de agravo de doenças preexistentes, além de obter de forma mais precoce a reconstituição imunológica.
P. H. - A adesão destes pacientes ao tratamento é mais fácil ou mais difícil que naqueles de outras faixas etárias?
Dr. Jean Carlo - A adesão é variável, dependendo de fatores culturais e sociais, que incluem aspectos como hábitos e os vícios, semelhantemente do que ocorre nos pacientes adultos jovens. Usuários de drogas e etilistas tendem a ter uma menor adesão ao tratamento, assim como aqueles com condições sociais e culturais desfavoráveis, como moradores de rua e analfabetos, por exemplo.
Outro aspecto importante é a estrutura familiar; aqueles pacientes que recebem apoio familiar tendem a ter uma maior adesão ao tratamento se comparados àqueles institucionalizados, moradores solitários ou abandonados pelos familiares.
P. H. - Como a família reage com o diagnóstico de um familiar idoso portador do vírus HIV?
Dr. Jean Carlo - A reação da família ante o conhecimento da positividade do HIV em um de seus integrantes idosos segue dois momentos. No primeiro, indignação e a surpresa, especialmente por se ter revelado hábitos, até então desconhecidos, como a sexualidade, que, geralmente, acontece fora do âmbito conjugal. Segue-se, então, a aproximação destes para com o paciente, traduzida pela preocupação e o envolvimento dos familiares no tratamento. É claro que as relações familiares prévias são definidoras do tipo de resposta. Assim sendo, aqueles que tinham laços de afetividade bem solidificados tendem a superar com mais facilidade tal situação, diferentemente daqueles cujos relacionamentos já eram precários, que tendem ao abandono.
P. H. - Os pacientes sofrem preconceitos?
Dr. Jean Carlo - A pessoa idosa, em nosso país, já é passível de discriminação, independente de se ter ou não saúde, o que dirá se considerarmos um idoso doente, decorrente arelações sexuais ou do uso de drogas. Certamente, estamos diante de uma situação bastante polêmica, ondeos preceitos da ética, moralidade, religiosidade e dos padrões de bons costumes deveriam virà tona para serem discutidos. Isto resulta no seu afastamento domeio social e até mesmo familiar, postura que muitas vezes é adotada eescolhida pelo próprio paciente, que busca se resguardar frente a estas adversidades.
P. H. - Existem ambulatórios especializados para o tratamento desses pacientes?
Dr. Jean Carlo - Pelo fato de estes pacientes exigirem cuidados especiais, alguns serviços, incluindo o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, criaram atendimento ambulatorial direcionado a este grupo etário, garantindo atenção diferenciada, com prolongamento de horários dos atendimentos, com maior freqüência entre as consultas, além de avaliação multidisciplinar concomitante. A detecção de condições sociais complicadoras requer atenção especial da assistência social, incluindo encaminhamento destes para casas de apoio ou núcleos especializados.
P. H. - Na sua opinião, com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, quais os rumos que a Aids pode tomar?
Dr. Jean Carlo - Certamente teremos uma elevação do número de casos de pacientes deste grupo etário, o quese deve não somente ao aumento da expectativa de vida da população geral, como também ao aumento da expectativa de vida dos pacientes soropositivos, decorrente dos avanços das terapêuticas anti-retrovirais assim, pacientes na quarta e quinta décadas atingirão a sexta década, colaborando infelizmente com a elevação das estatísticas de Aids nos idosos.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Depressão atinge 9,2% dos idosos no Brasil.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2010), do IBGE, mostram que a população de idosos no Brasil cresce em ritmo consistente e num número maior do que o de pessoas que nascem. Com isso, aumenta o índice de doenças no grupo de 21 milhões de brasileiros que têm mais de 60 anos. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, quase metade dos idosos do país (48,9%) sofre de mais de uma doença crônica. E uma das mais graves é a depressão, queixa de 9,2%. A notícia boa é que este problema tem controle e o indivíduo recupera sua qualidade de vida. Segundo especialistas, o diagnóstico precisa ser bem feito para afastar a hipótese de a depressão estar associada a um déficit cognitivo e a alguma forma de demência. O psiquiatra Felipe Kenji Sudo explica que os sintomas na terceira idade são semelhantes aos da doença em faixas mais jovens, mas têm particularidades. Por exemplo, nem todos se mostram tristes.
- Nos idosos, a depressão costuma ser acompanhada de sonolência, mas também de falhas de memória, mudanças de comportamento, como agitação, irritação. A pessoa se torna calada, pouco espontânea e demonstra perda de interesse em atividades, inclusive de lazer - explica Sudo.
Se a pessoa nunca sofreu de depressão ou não tem histórico familiar, é preciso investigar ainda maior rigor. A depressão nesse grupo pode se confundir e coexistir algum tipo demência, alerta o psiquiatra.
Por meio de consultas clínicas, testes neuropsicológicos e exames de imagens, como a ressonância magnética, o médico pode ver se é apenas depressão ou há outras doenças associadas. A depressão pode ser de origem vascular, causada por exemplo por pressão alta, a doença mais prevalente em idosos brasileiros: 53,3%, segundo o IBGE.
- Pequenas isquemias por doenças cardiovasculares podem destruir circuitos neuronais no cérebro e desencadear depressão - diz Sudo. - Mui$pacientes com Alzheimer têm depressão por perda de neurotransmissores.
No tratamento os médicos podem associar medicamentos e psicoterapia. A escolha do fármaco requer atenção especial: remédios que em outra faixa agem em quatro a seis semanas, em idosos demoram de oito a 12 semanas.
- Alguns antidepressivos podem causar problemas de memória, propensão a quedas, aumento de peso. Além disso, os idosos já tomam remédios para outras doenças e é preciso ver os riscos relacionados a possíveis interações - explica o médico.
Só a droga não resolve. Os médicos recomendam prática de atividade física como medida muito eficaz contra a depressão, sem falar que o exercício aumenta a força, dando mais autonomia ao idosos:
- Não adianta eles terem tudo em casa, conforto, segurança, se não interagirem socialmente. Entram em depressão do mesmo jeito.
Faltam geriatras no Brasil Cuidar de Idosos
Na saúde, a falta de médicos geriatras ameaça a vida de milhares de idosos no brasil. Nessa área, não há investimento há muito tempo.
Edição do dia 16/12/2010 - Bom dia Brasil.
16/12/2010 07h40 - Atualizado em 16/12/2010 07h58
O Brasil tem um geriatra para cada cinco mil idosos. O recomendável, de acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria, seria um para cada mil. Os números mostram que faltam cinco mil médicos nessa área. O país ganha todo ano quase 800 mil idosos. Por que faltam geriatras no Brasil?
A cada dois meses Dona Norma, de 81 anos, vai ao geriatra. A consulta é demorada e leva, pelo menos, uma hora e meia. Dona Norma não tem uma doença, só os problemas comuns à idade. O equilíbrio já não é mais o mesmo. As quedas preocupam a família e o médico. A memória também anda falhando um pouco.
O médico verifica o peso e a pressão, faz o exame clínico, mas a consulta não acaba. Qualquer dúvida, a acompanhante de Dona Norma, Ilzamar, liga para ele de dia ou até mesmo de noite. “Nós temos sempre um SOS pra falar com o doutor Sérgio”, comenta Ilzamar.
“O segredo é estar sempre acompanhando e equilibrando o organismo dela. Fico atento aos detalhes e às coisas especificas e pertinentes às pessoas de idade”, disse o médico Sérgio Telles.
São raros os brasileiros que, como a Dona Norma, tem o acompanhamento de um geriatra. O país inteiro tem apenas 922 médicos especializados em geriatria para uma população de 21 milhões de pessoas acima de 60 anos.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Geriatria, desses 21 milhões de brasileiros, pelo menos cinco milhões têm problemas de saúde e precisariam do acompanhamento de um geriatra. Pelos cálculos, faltam cinco mil desses profissionais no mercado.
Quando se observa o mapa de distribuição de geriatras em todo Brasil é ainda mais impressionante. São Paulo tem 410 profissionais. O Rio de Janeiro tem apenas 78. Os estados do Nordeste têm menos ainda: 11 em Pernambuco e seis na Paraíba e no Maranhão, por exemplo. Mas na Região Norte a situação preocupa: Amapá, Amazonas e Tocantins têm apenas um geriatra cada.
Geriatria não faz parte do currículo de graduação de medicina no Brasil. O país inteiro tem apenas 21 cursos de pós-graduação e 60 vagas de residência na especialidade. A presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria, Silvia Pereira, aponta mais uma causa para a falta de profissionais nessa área.
“É uma consulta longa no consultório e é uma consulta longa fora do consultório. Isso as pessoas não querem. Elas querem ficar mais livres, receber seu salário e ir embora. É uma especialidade de muito trabalho”, observa a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria.
O que acontece, na prática, é que a maioria dos idosos brasileiros não se trata com especialista em geriatria. Quando tem um problema, vai ao clínico geral, ao cardiologista ou ao ginecologista. Em uma turma de 30 idosos da Universidade Aberta da Terceira Idade, no Rio de Janeiro, só Rodelita e Tadeu têm geriatras e garantem que faz a maior diferença no tratamento especializado.
“O geriatra não enche o paciente de medicamentos. Ele conhece imediatamente o que você necessita no organismo”, diz a aposentada Rodelita Vasconcelos.
“Ele examina tudo e vê articulações. É todo trabalho especializado que é importante para o idoso. Quem puder ter, eu recomendo”, comenta o aposentado Tadeu de Carvalho.
Para o estudante ou profissional de medicina, clientela é o que não falta. A expectativa de vida dos brasileiros aumenta de geração em geração.Idosos brasileiros movimentam R$ 255,6 bi por ano
O Brasil tem 21 milhões de pessoas com mais de 60 anos que movimentam R$ 255,6 bilhões por ano - 68,1% desse total são benefícios de aposentadoria, pensão por morte e assistência social, de acordo com as contas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Só na Previdência Social o país gasta 14% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços do país), e os dados oficiais registram déficit de R$ 41,9 bilhões.
Na última década, a proporção de idosos passou de 8,8% para 11,1% do total da população, numa expansão mais rápida do que em muitos países europeus, mostra reportagem de Fabiana Ribeiro, que abre uma série sobre idosos que começa a ser publicada neste domingo pelo jornal O GLOBO.
De acordo com a reportagem, o envelhecimento populacional é resultado de conquistas do passado, como queda na mortalidade infantil e avanços na saúde. Some-se a isso a redução na taxa de fecundidade brasileira que possivelmente fará com que, a partir de 2030, a população comece a encolher. Em paralelo, o total de idosos começaria a ultrapassar o de jovens de 15 a 29 anos, prevê a pesquisadora Ana Amélia Camaramo, do Ipea.
- O Brasil desfruta de uma das maiores conquistas sociais da segunda metade do século XX, verificada em quase todo o mundo: a redução da mortalidade em todas as idades. Isso resultou no aumento da esperança de vida, em que mais e mais pessoas atingem idades avançadas. Uma das certezas que se pode vislumbrar para o futuro próximo é o crescimento a taxas elevadas de idosos vivendo mais tempo.
Embora a conquista mereça ser comemorada, o envelhecimento aumenta a despesa previdenciária - explicou a especialista do Ipea.
E não há consenso sobre as medidas que devem ser adotadas para sanar o déficit previdenciário. Vinicius Pinheiro, especialista sênior para a América Latina da Organização Internacional do Trabalho (OIT), já houve avanços na discussão brasileira, como a inclusão da expectativa de vida no cálculo previdenciário.
- O Brasil envelheceu mais rapidamente nos últimos 30 anos do que a Inglaterra nos últimos 100. É claro que isso vai significar uma pressão sobre as contas da Previdência, principalmente porque não existe no Brasil uma idade mínima para receber a contribuição - diz.
José Márcio Camargo, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, faz os cálculos: o Estado brasileiro gasta 15,6 vezes mais com os idosos do que na educação de suas crianças.
- O país deveria investir mais no futuro, ou seja, nas crianças. É claro que mantendo o bem-estar dos idosos. Mas o sistema é bastante benevolente com o idoso - disse Camargo, para quem os gastos com saúde dos idosos vão continuar a crescer, devido ao envelhecimento.
Além das questões financeiras, o "direito de envelhecer" esbarra no preconceito da sociedade brasileira, ponderou o cientista social José Carlos Libânio, ex-coordenador de desenvolvimento humano da Organização das Nações Unidas (ONU)-Brasil:
- Uma das queixas que atravessa gerações é o desrespeito ao idoso. Ao contrário do que acontece em outros países, como o Japão, o Brasil discrimina e desvaloriza o seu idoso. De certa maneira, os próprios idosos se desvalorizam: muitos entendem que o idoso é sempre o "outro". Mas, muitas vezes, o desrespeito vem da própria família - diz.
http://extra.globo.com/noticias/economia/idosos-brasileiros-movimentam-2556-bi-por-ano-207988.html
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Cientistas descobrem cinco genes relacionados ao Alzheimer
No maior dos estudos realizados até o momento, cerca de 300 cientistas de dois consórcios sequenciaram os genomas de 54 mil pessoas - algumas afetadas pela enfermidade, outras não - para trazer à tona as novas variações genéticas identificadas. Os dois projetos começaram independentemente, mas depois trocaram seus dados, permitindo que cada grupo confirmasse as descobertas gerais.
Segundo o principal idealizador de um dos estudos, o pesquisador Gerard Schellenberg, da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, "antes dessas pesquisas, havia cinco genes de 'início tardio' aceitos". Por e-mail, ele disse que "agora, há mais cinco: MS4A, ABCA7, CD33, EPHA1 e CD2AP". Cerca de 90% dos casos de Alzheimer são os chamados de "início tardio", isto é, que afetam pessoas com mais de 65 anos. A probabilidade de desenvolvimento dessa forma da doença dobra a cada cinco anos.
Schellenberg explicou que a identificação das partes do DNA que contribuem para o mal de Alzheimer aumenta "nosso entendimento do papel da hereditariedade neste início", acrescentando que outros genes certamente ainda terão de ser descobertos. Mas Schellenberg disse que a maior contribuição será na compreensão dos mecanismos por trás das causas do Alzheimer. "Esses genes destacam novos caminhos essenciais para o processo da doença."
O último objetivo, segundo Schellenberg, é criar medicamentos que possam interromper ou até evitar o progresso da doença. Para isso, "biólogos moleculares que trabalham nos mecanismos da doença agora precisam descobrir exatamente como esses genes se ligam ao processo do Alzheimer". Os tratamentos atuais são apenas "marginalmente eficientes" ao mascarar sintomas ou desacelerar o avanço inevitável da enfermidade, de acordo com Schellenberg.
O mal de Alzheimer afeta 13% das pessoas com mais de 65 anos no mundo e até 50% dos idosos com mais de 85 anos. Especialistas estimam que, conforme as populações dos países ricos envelhecerem, o número de afetados no mundo deve dobrar para mais de 65 milhões até 2030. As informações são da Dow Jones.
