'Eu dei uma de morta para ele poder me soltar', diz mulher de 82 anos.
É o 3º caso de violência contra idosos em menos de dez dias na região.
Uma idosa de 82 anos foi vítima de agressões e de uma tentativa de estupro na madrugada do domingo (29) em Pederneiras, interior de São Paulo. Adalgisa Peixoto dos Santos voltava de um baile de forró quando foi surpreendida por um homem em frente à casa dela. É o terceiro caso de agressão a idosos neste mês na região de Bauru.
A vítima diz ter levado socos, chutes e mordidas do agressor. Os amigos ficaram revoltados quando viram Adalgisa ferida. De acordo com os parentes, ela foi agredida em um terreno que fica a 150 metros da casa onde mora.
A família registrou boletim de ocorrência por agressão e tentativa de estupro. O agressor, identificado pela própria vítima, ainda não foi encontrado.
"Ele disse que se chamasse meus filhos ou a polícia ia me matar. Eu dei uma de que estava morta para ele poder me soltar", afirma a idosa.
O filho e o neto ficaram emocionados quando viram a idosa. "Quando cheguei à casa dela, ela estava seminua, só de calcinha e sutiã e toda machucada", diz o filho da vítima, Orivaldo Peixoto dos Santos. "O homem a pegou pelo cabelo, atravessou a cerca e a arrastou até onde aconteceu o fato", conta.
No dia 23, uma mulher e uma adolescente foram presas em São Manuel e confessaram ter agredido uma mulher de 89 anos. Uma delas, que desde o dia 24 estava presa em Cerqueira César, fugiu da cadeia no domingo, mas foi recapturada.
No dia 28, um homem foi preso em Itapuí, também suspeito de agredir e deixar a própria mãe, de 80 anos, sem comida.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Comissão Especial do Idoso propõe a criação de uma Delegacia especializada para atender os idosos
Correio do Brasil
31/5/2011 17:17, Por Acessa
Jorge Júnior
Repórter
A criação de uma Delegacia especializada para atender os idosos foi proposta nesta terça-feira, 31 de maio, pela Comissão Especial do Idoso. “Temos que seguir os modelos de outras cidades, em que a Delegacia já existe,” enfatiza o vereador Isauro Calais (PMN).
A proposta da ampliação do Fórum de Juiz de Fora, com vara especializada do idoso, como garantem os artigos 70 e 71 do Estatuto do Idoso, também foi apresentada pela Comissão. Outras ações como a criação de um centro de atendimento a idosos vítimas de violência e a implantação de uma clínica de tratamento para dependentes químicos também foram sugeridas na reunião. “Além de agilizar o serviço, essas ações vão ser uma referência para os idosos da cidade,” destaca Calais.
Os projetos foram apresentados em decorrência do número de casos de violência contra os idosos. A Polícia Militar mostrou dados registrados ao longo de 2010 e os números referentes aos quatro primeiros meses de 2011 (ver tabela abaixo). “Precisamos capacitar os profissionais da segurança pública e fortalecer a rede para dar mais apoio aos cidadãos”, diz a sargento do 4º Batalhão da Polícia Militar, Sandra Oliveira Ramos.
Dia Municipal do Idoso é comemorado com a instituição da Comissão Especial dos Idosos em JFComissão especial inicia trabalhos por direitos dos idososBanco de Leite comemora 20 anos contabilizando atendimento a cerca de quatro mil crianças
A coordenadora do Centro de Referência Especializado deAssistência Social (Creas) Idoso Mulher, Maria Cláudia Siqueira Dutra, apresentou dados da entidade. “Em 2009 foram 212 denúncias registradas, 186 em 2010 e em 2011 já foram contabilizadas 83.” De acordo com a percepção dos membros da comissão, a violência acontece no próprio lar e, na maioria das vezes, os autores das ações são os filhos e netos do cidadão.
Casos de violência registrados pela PMViolências registradas contra os idosos Ano 2010 Ano 2011 (até maio)TotalVítimas fatais7428102Lesões leves559255814Outras lesões15871229Vítimas de ação criminal cível284112594100Empréstimos consignados
A facilidade dos empréstimos consignados também foi discutida na pauta. “Tem que haver um trabalho em cima das instituições financeiras. A oferta está muito grande, o que acaba estimulando os aposentados a fazerem o empréstimo”, diz a representante da Associacão dos Aposentados e Pensionistas das Autarquias do Brasil, Dilva Araújo Porto Leme. “Temos que proibir as propagandas nas ruas, afixar cartazes informativos, porque a maioria dos empréstimos são solicitados pelos netos ou filhos dos aposentados”, constata Maria Cláudia.
31/5/2011 17:17, Por Acessa
Jorge Júnior
Repórter
A criação de uma Delegacia especializada para atender os idosos foi proposta nesta terça-feira, 31 de maio, pela Comissão Especial do Idoso. “Temos que seguir os modelos de outras cidades, em que a Delegacia já existe,” enfatiza o vereador Isauro Calais (PMN).
A proposta da ampliação do Fórum de Juiz de Fora, com vara especializada do idoso, como garantem os artigos 70 e 71 do Estatuto do Idoso, também foi apresentada pela Comissão. Outras ações como a criação de um centro de atendimento a idosos vítimas de violência e a implantação de uma clínica de tratamento para dependentes químicos também foram sugeridas na reunião. “Além de agilizar o serviço, essas ações vão ser uma referência para os idosos da cidade,” destaca Calais.
Os projetos foram apresentados em decorrência do número de casos de violência contra os idosos. A Polícia Militar mostrou dados registrados ao longo de 2010 e os números referentes aos quatro primeiros meses de 2011 (ver tabela abaixo). “Precisamos capacitar os profissionais da segurança pública e fortalecer a rede para dar mais apoio aos cidadãos”, diz a sargento do 4º Batalhão da Polícia Militar, Sandra Oliveira Ramos.
Dia Municipal do Idoso é comemorado com a instituição da Comissão Especial dos Idosos em JFComissão especial inicia trabalhos por direitos dos idososBanco de Leite comemora 20 anos contabilizando atendimento a cerca de quatro mil crianças
A coordenadora do Centro de Referência Especializado deAssistência Social (Creas) Idoso Mulher, Maria Cláudia Siqueira Dutra, apresentou dados da entidade. “Em 2009 foram 212 denúncias registradas, 186 em 2010 e em 2011 já foram contabilizadas 83.” De acordo com a percepção dos membros da comissão, a violência acontece no próprio lar e, na maioria das vezes, os autores das ações são os filhos e netos do cidadão.
Casos de violência registrados pela PMViolências registradas contra os idosos Ano 2010 Ano 2011 (até maio)TotalVítimas fatais7428102Lesões leves559255814Outras lesões15871229Vítimas de ação criminal cível284112594100Empréstimos consignados
A facilidade dos empréstimos consignados também foi discutida na pauta. “Tem que haver um trabalho em cima das instituições financeiras. A oferta está muito grande, o que acaba estimulando os aposentados a fazerem o empréstimo”, diz a representante da Associacão dos Aposentados e Pensionistas das Autarquias do Brasil, Dilva Araújo Porto Leme. “Temos que proibir as propagandas nas ruas, afixar cartazes informativos, porque a maioria dos empréstimos são solicitados pelos netos ou filhos dos aposentados”, constata Maria Cláudia.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Com mais de 20 milhões de idosos,
Instituições públicas e privadas abrigam 83 mil e mulheres são maioria, diz Ipea
Carlyle Jr., do R7, no Rio.
Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado nesta terça-feira (24), revelou que o número de instituições públicas que abrigam os idosos não acompanha o crescimento da terceira idade, que já chega a mais de 20 milhões de pessoas, segundo o Censo de 2010. No Brasil, funcionam 3.548 asilos (públicos e privados). No entanto, a pesquisa mostrou que o governo, nas esferas municipal, estadual e municipal, tem apenas 218 asilos em todo o país.
O governo federal tem apenas uma instituição para os idosos, o Abrigo Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que atende 298 pessoas. O estudo apontou que mais da metade das instituições brasileiras, 65,2%, são filantrópicas. E a contribuição do setor público representa apenas 22% das receitas desses lugares.
A pesquisa concluiu que os asilos brasileiros são mantidos pelos recursos dos idosos ou de familiares, mesmo as filantrópicas que recebem financiamento público. O Estatuto do Idoso estabelece que as instituições podem contar com até 70% do valor do benefício da aposentadoria.
Cerca de 83 mil idosos vivem em asilos no Brasil, informou o estudo, que também apontou que as mulheres são maioria nessas instituições. Mas, de acordo com Ana Amélia Camarano, responsável pela pesquisa do Ipea, esse número ainda é muito pequeno se for considerar o número total de idosos no país.
Responsabilidade do Estado
Para ela, muitos idosos precisam de cuidados fora do ambiente familiar, mas a oferta de instituições que oferecem esse tipo de serviço ainda é muito pequena no país. Segundo Ana Amélia, a ausência de uma política estruturada de cuidados formais do idoso, faz com que a família seja a única responsável, sem nenhum apoio do Estado ou da iniciativa privada.
– Eu acho que o Estado tem, sim, que assumir uma posição mais efetiva na criação de mecanismos de proteção e cuidado das pessoas idosas. Porque a capacidade de as famílias desempenharem esse papel está diminuindo ano a ano e, paralelamente, aumenta a demanda e alguém tem que assumir isso. A perda da capacidade para atividades diárias é um resultado decorrente da idade avançada. E o Estado deve se responsabilizar por isso, já que criou a Previdência Social e a aposentadoria por invalidez.
A pesquisadora lembra que a Constituição Brasileira, a Política Nacional do Idoso e o Estatuto do Idoso responsabilizam as famílias por esses cuidados. Ana Amélia destaca que é preciso pensar uma política de cuidados de longa duração para a população idosa brasileira, inclusive porque, segundo ela, a oferta de cuidadores familiares tende a se reduzir nos próximos anos.
- Hoje, as pessoas trabalham e estudam mais que no passado. E essas pessoas não dispõem de tempo para cuidar dos idosos que precisam de cuidados diários e específicos.
Mas ela ressalta que a opção por uma instituição para cuidar do idoso não significa que haverá uma ruptura familiar definitiva A pesquisadora destaca que os asilos são historicamente associados ao abandono familiar e à pobreza. E, nessa associação, está a origem do preconceito.
- Não existem rupturas como se imagina. O idoso deve e precisa manter relações com a família quando está em um asilo.
Carlyle Jr., do R7, no Rio.
Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado nesta terça-feira (24), revelou que o número de instituições públicas que abrigam os idosos não acompanha o crescimento da terceira idade, que já chega a mais de 20 milhões de pessoas, segundo o Censo de 2010. No Brasil, funcionam 3.548 asilos (públicos e privados). No entanto, a pesquisa mostrou que o governo, nas esferas municipal, estadual e municipal, tem apenas 218 asilos em todo o país.
O governo federal tem apenas uma instituição para os idosos, o Abrigo Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que atende 298 pessoas. O estudo apontou que mais da metade das instituições brasileiras, 65,2%, são filantrópicas. E a contribuição do setor público representa apenas 22% das receitas desses lugares.
A pesquisa concluiu que os asilos brasileiros são mantidos pelos recursos dos idosos ou de familiares, mesmo as filantrópicas que recebem financiamento público. O Estatuto do Idoso estabelece que as instituições podem contar com até 70% do valor do benefício da aposentadoria.
Cerca de 83 mil idosos vivem em asilos no Brasil, informou o estudo, que também apontou que as mulheres são maioria nessas instituições. Mas, de acordo com Ana Amélia Camarano, responsável pela pesquisa do Ipea, esse número ainda é muito pequeno se for considerar o número total de idosos no país.
Responsabilidade do Estado
Para ela, muitos idosos precisam de cuidados fora do ambiente familiar, mas a oferta de instituições que oferecem esse tipo de serviço ainda é muito pequena no país. Segundo Ana Amélia, a ausência de uma política estruturada de cuidados formais do idoso, faz com que a família seja a única responsável, sem nenhum apoio do Estado ou da iniciativa privada.
– Eu acho que o Estado tem, sim, que assumir uma posição mais efetiva na criação de mecanismos de proteção e cuidado das pessoas idosas. Porque a capacidade de as famílias desempenharem esse papel está diminuindo ano a ano e, paralelamente, aumenta a demanda e alguém tem que assumir isso. A perda da capacidade para atividades diárias é um resultado decorrente da idade avançada. E o Estado deve se responsabilizar por isso, já que criou a Previdência Social e a aposentadoria por invalidez.
A pesquisadora lembra que a Constituição Brasileira, a Política Nacional do Idoso e o Estatuto do Idoso responsabilizam as famílias por esses cuidados. Ana Amélia destaca que é preciso pensar uma política de cuidados de longa duração para a população idosa brasileira, inclusive porque, segundo ela, a oferta de cuidadores familiares tende a se reduzir nos próximos anos.
- Hoje, as pessoas trabalham e estudam mais que no passado. E essas pessoas não dispõem de tempo para cuidar dos idosos que precisam de cuidados diários e específicos.
Mas ela ressalta que a opção por uma instituição para cuidar do idoso não significa que haverá uma ruptura familiar definitiva A pesquisadora destaca que os asilos são historicamente associados ao abandono familiar e à pobreza. E, nessa associação, está a origem do preconceito.
- Não existem rupturas como se imagina. O idoso deve e precisa manter relações com a família quando está em um asilo.
Ceará tem apenas um abrigo público para idosos
Diário do Nordeste - Publicado em 24 de maio de 2011
O Olavo Bilac, em Fortaleza, é o único existente no Estado, está operando acima de sua capacidade
De acordo com o artigo 3º do Estatuto do Idoso, "é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária". Na prática, no entanto, a Legislação não é cumprida no Ceará.
O Governo do Estado mantém apenas um abrigo público e está localizado em Fortaleza, no bairro Olavo Bilac. O problema é que, devido à grande demanda, ele já excedeu a sua capacidade. A unidade tem capacidade para 99 idosos, mas atualmente está com 110.
O Município de Fortaleza não mantém nenhum. A execução de programas é feito através de convênios com o Lar Torres de Melo e o Dispensário dos Pobres do Sagrado Coração. O problema é que ambos estão lotados.
No último dia 13, o Ministério Público, através do Núcleo de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência, entrou com Ação Civil Pública contra o município de Fortaleza solicitando que apresente, num prazo de 60 dias, levantamento completo da situação das Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPI) e projeto de política municipal para abrigos na Capital.
O município terá ainda que incluir no seu plano de prioridades sociais e no orçamento de 2012, a construção de um abrigo destinado aos idosos em situação de risco, sob pena de multa diária de R$ 10 mil pelo não cumprimento, em favor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Estado do Ceará.
Denúncias
O número de denúncias de violência contra idosos junto à Promotoria de Justiça de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência só aumenta. Para se ter uma ideia, em 2006, ano que a Promotoria foi criada, foram 41 denúncias. No ano passado elas somaram 478, o que representa aumento de 1.065%. De 2006 a 2010, foram 1.597 denúncias registradas no órgão.
Ontem, o aposentado Antônio Tarjino Porfírio, 74, foi ao Ministério Público registrar queixa. Ele relata que há cerca de um ano denunciou seu filho, de 37 anos, que, segundo conta, lhe tomou a casa. "Ele quer que eu vá morar debaixo da ponte. Me colocou para fora de casa, quebrou meu guarda roupa e me quebrou todo". Sem ter onde ficar, a saída que restou ao seu Tarjino foi alugar um quarto, que lhe custa por mês R$ 180,00.
O problema é que, quando o oficial de Justiça foi à residência colocar o filho de seu Tarjino para fora, ele não estava. Ontem, o aposentado estava no Ministério Público em busca de orientações de como resolver o seu problema.
O promotor de justiça Nildo Façanha, coordenador do Núcleo de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência, relata que, "a maioria dos casos de violência contra o idoso acontece no próprio seio familiar". E o pior é que trata-se de uma violência silenciosa, pois acontece dentro de casa. Ele diz que grande parte das denúncias é anônima, parte de um vizinho ou até do próprio idoso.
Nildo Façanha chama atenção para o aumento da população idosa, que está crescendo em todo o mundo, por isso a necessidade do poder público trabalhar com políticas públicas voltadas para esse segmento da sociedade. "A questão do envelhecimento envolve saúde pública, previdência, mobilidade urbana. Todos essas necessidades não estão sendo acompanhadas efetivamente, o que desencadeia no desrespeito ao idoso, na omissão por parte do poder público, na agressão da família, na omissão da sociedade".
O cenário de superlotação de abrigos públicos e privados para idosos, sem falar nos problemas financeiros que maior parte deles enfrentam, preocupa o promotor de Justiça. Ele diz que "a questão do abrigo do idoso, de violência contra o idoso, não pode esperar para amanhã. O idoso tem que ser agora, é para ontem".
A Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), explica que, de acordo com a execução da política nacional de assistência social, a execução de programas pode ser feita diretamente pelo município ou através de convênios com organizações da sociedade civil.
Cynthia Studart, assessora política da Semas, diz que esse atendimento especializado de alto complexidade é feito pelo Lar Torres de Melo, através do financiamento de 111 vagas, das 240 que a instituição possui. O valor mensal pago pela Prefeitura é de R$ 660,00 por pessoa. O município co-financia mais 30 vagas de mulheres idosas.
LUANA LIMA
REPÓRTER
O Olavo Bilac, em Fortaleza, é o único existente no Estado, está operando acima de sua capacidade
De acordo com o artigo 3º do Estatuto do Idoso, "é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária". Na prática, no entanto, a Legislação não é cumprida no Ceará.
O Governo do Estado mantém apenas um abrigo público e está localizado em Fortaleza, no bairro Olavo Bilac. O problema é que, devido à grande demanda, ele já excedeu a sua capacidade. A unidade tem capacidade para 99 idosos, mas atualmente está com 110.
O Município de Fortaleza não mantém nenhum. A execução de programas é feito através de convênios com o Lar Torres de Melo e o Dispensário dos Pobres do Sagrado Coração. O problema é que ambos estão lotados.
No último dia 13, o Ministério Público, através do Núcleo de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência, entrou com Ação Civil Pública contra o município de Fortaleza solicitando que apresente, num prazo de 60 dias, levantamento completo da situação das Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPI) e projeto de política municipal para abrigos na Capital.
O município terá ainda que incluir no seu plano de prioridades sociais e no orçamento de 2012, a construção de um abrigo destinado aos idosos em situação de risco, sob pena de multa diária de R$ 10 mil pelo não cumprimento, em favor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Estado do Ceará.
Denúncias
O número de denúncias de violência contra idosos junto à Promotoria de Justiça de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência só aumenta. Para se ter uma ideia, em 2006, ano que a Promotoria foi criada, foram 41 denúncias. No ano passado elas somaram 478, o que representa aumento de 1.065%. De 2006 a 2010, foram 1.597 denúncias registradas no órgão.
Ontem, o aposentado Antônio Tarjino Porfírio, 74, foi ao Ministério Público registrar queixa. Ele relata que há cerca de um ano denunciou seu filho, de 37 anos, que, segundo conta, lhe tomou a casa. "Ele quer que eu vá morar debaixo da ponte. Me colocou para fora de casa, quebrou meu guarda roupa e me quebrou todo". Sem ter onde ficar, a saída que restou ao seu Tarjino foi alugar um quarto, que lhe custa por mês R$ 180,00.
O problema é que, quando o oficial de Justiça foi à residência colocar o filho de seu Tarjino para fora, ele não estava. Ontem, o aposentado estava no Ministério Público em busca de orientações de como resolver o seu problema.
O promotor de justiça Nildo Façanha, coordenador do Núcleo de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência, relata que, "a maioria dos casos de violência contra o idoso acontece no próprio seio familiar". E o pior é que trata-se de uma violência silenciosa, pois acontece dentro de casa. Ele diz que grande parte das denúncias é anônima, parte de um vizinho ou até do próprio idoso.
Nildo Façanha chama atenção para o aumento da população idosa, que está crescendo em todo o mundo, por isso a necessidade do poder público trabalhar com políticas públicas voltadas para esse segmento da sociedade. "A questão do envelhecimento envolve saúde pública, previdência, mobilidade urbana. Todos essas necessidades não estão sendo acompanhadas efetivamente, o que desencadeia no desrespeito ao idoso, na omissão por parte do poder público, na agressão da família, na omissão da sociedade".
O cenário de superlotação de abrigos públicos e privados para idosos, sem falar nos problemas financeiros que maior parte deles enfrentam, preocupa o promotor de Justiça. Ele diz que "a questão do abrigo do idoso, de violência contra o idoso, não pode esperar para amanhã. O idoso tem que ser agora, é para ontem".
A Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), explica que, de acordo com a execução da política nacional de assistência social, a execução de programas pode ser feita diretamente pelo município ou através de convênios com organizações da sociedade civil.
Cynthia Studart, assessora política da Semas, diz que esse atendimento especializado de alto complexidade é feito pelo Lar Torres de Melo, através do financiamento de 111 vagas, das 240 que a instituição possui. O valor mensal pago pela Prefeitura é de R$ 660,00 por pessoa. O município co-financia mais 30 vagas de mulheres idosas.
LUANA LIMA
REPÓRTER
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Ativos e bem-humorados, centenários dão exemplo
domingo, 22 de maio de 2011 7:01-Do Diário do Grande ABC
Os 105 anos, o aposentado João Alves Prestes tem saúde de dar inveja e muita história para contar. Nascido em Bofete, interior do Estado, em 1905, trabalhou em fazenda na criação de animais, na Infantaria do Exército Brasileiro e como servente de pedreiro, já em Santo André, quando se mudou aos 62 anos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, referentes ao Censo 2010, mostram que pessoas como ele são cada vez mais raras. No Grande ABC, existem 136 pessoas com mais de 100 anos. E o número vem diminuindo, tendência observada no País e no Estado (veja tabela abaixo). Enquanto a população idosa na região aumentou 35,8%, a de centenários teve queda de 57% em comparação com os dados do Censo de 2000.
Para o professor e coordenador do Instituto de Pesquisas da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Leandro Prearo, os números mostram que há ponto de saturação na faixa etária do idoso. "A expectativa de vida passou dos 74 anos para a faixa entre 80 e 90, mas isso não significa que vai atingir mais de 100 anos", ressaltou Prearo.
O geriatra e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia Mauricio de Miranda Ventura acredita que o número voltará a crescer. "Além dos hábitos de vida, outro fator que tem contribuição muito maior para chegar aos 100 anos é a herança genética. O avanço da medicina na saúde do idoso não era o mesmo há 10 anos", explicou Ventura.
Prestes tem nove filhos, 32 netos, 40 bisnetos e nove tataranetos. Mora com uma das filhas na Vila Lucinda e adora usar chapéu, beber cerveja e comer torresmo. Todo mês cobra os filhos para marcar cabeleireiro e manicure.
Ao falar do passado, o aposentado se recorda do período que ficou no Exército, um ano e um mês, quando ajudou a construir a rede de esgoto no bairro onde vive, dos amigos do Interior, do tempo em que andava a cavalo e da festa de aniversário do ano passado. "Tinha muita gente, foi muito bonito", contou Prestes.
Para o filho, Jair Alves Prestes, 62, a saúde e a independência do pai são o que impressionam, além das caminhadas quase que diárias pela rua. "A mãe dele morreu com 98 anos. Os médicos admiram, e eu também, pelos resultados dos exames que estão sempre em ordem."
Com hábitos saudáveis, mulheres são maioria
Dos 136 centenários do Grande ABC, 64 são mulheres. "Ao contrário do homem, a alimentação da mulher é melhor, a frequência ao médico é maior, além do nível de estresse ser mais baixo. Isso faz com que vivam mais", explicou o geriatra Leonardo Brenal da Faculdade de Medicina do ABC.
Aos 103 anos, a aposentada Maria Júlia Ferreira, de São Bernardo, contou que o segredo para chegar onde está é a fé. "Enxergo bem pouquinho, mas não tenho nenhuma doença. Agora tomo remédio para o estômago", contou a mineira, que é devota de Nossa Senhora.
Há três anos, ela vive na Casa dos Velhinhos Dona Adelaide por vontade própria. Com a morte do marido, passou a ficar a cada 15 dias na casa de um dos filhos. "Meus filhos sempre foram bonzinhos, mas achei que era melhor não atrapalhá-los e vim morar na Dona Adelaide. Sou feliz, tenho amigos e sempre vou visitá-los ou eles vêm aqui."
Ativa
Quem olha para a Maria Fernandes Filipim, 102, não imagina que os seus passeios favoritos são ir ao estádio de futebol para ver o Palmeiras jogar, além de ir a restaurantes e barzinhos. Sem falar nas viagens: a última, um cruzeiro, foi realizada em março. "Não fiquei com medo. É bonito que só vendo", relembrou.
Vaidosa e independente, a aposentada vai à manicure todos os sábados. "Não é porque a gente fica velha que não deve se cuidar.".
Quando se recorda do passado, a aposentada não esconde a emoção. "Falar da minha vida é um romance." Nascida em Santo Antonio da Boa Vista, no Interior, conheceu o marido na Fábrica de Tecidos Votorantim. "Minha família era espanhola e a dele italiana. Mesmo assim ele lutou para ficar comigo." A filha, Ivone Filipim, 69, comemora a longevidade da mãe. "Ela não tem doença. Come de tudo e é super ativa."
Os 105 anos, o aposentado João Alves Prestes tem saúde de dar inveja e muita história para contar. Nascido em Bofete, interior do Estado, em 1905, trabalhou em fazenda na criação de animais, na Infantaria do Exército Brasileiro e como servente de pedreiro, já em Santo André, quando se mudou aos 62 anos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, referentes ao Censo 2010, mostram que pessoas como ele são cada vez mais raras. No Grande ABC, existem 136 pessoas com mais de 100 anos. E o número vem diminuindo, tendência observada no País e no Estado (veja tabela abaixo). Enquanto a população idosa na região aumentou 35,8%, a de centenários teve queda de 57% em comparação com os dados do Censo de 2000.
Para o professor e coordenador do Instituto de Pesquisas da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Leandro Prearo, os números mostram que há ponto de saturação na faixa etária do idoso. "A expectativa de vida passou dos 74 anos para a faixa entre 80 e 90, mas isso não significa que vai atingir mais de 100 anos", ressaltou Prearo.
O geriatra e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia Mauricio de Miranda Ventura acredita que o número voltará a crescer. "Além dos hábitos de vida, outro fator que tem contribuição muito maior para chegar aos 100 anos é a herança genética. O avanço da medicina na saúde do idoso não era o mesmo há 10 anos", explicou Ventura.
Prestes tem nove filhos, 32 netos, 40 bisnetos e nove tataranetos. Mora com uma das filhas na Vila Lucinda e adora usar chapéu, beber cerveja e comer torresmo. Todo mês cobra os filhos para marcar cabeleireiro e manicure.
Ao falar do passado, o aposentado se recorda do período que ficou no Exército, um ano e um mês, quando ajudou a construir a rede de esgoto no bairro onde vive, dos amigos do Interior, do tempo em que andava a cavalo e da festa de aniversário do ano passado. "Tinha muita gente, foi muito bonito", contou Prestes.
Para o filho, Jair Alves Prestes, 62, a saúde e a independência do pai são o que impressionam, além das caminhadas quase que diárias pela rua. "A mãe dele morreu com 98 anos. Os médicos admiram, e eu também, pelos resultados dos exames que estão sempre em ordem."
Com hábitos saudáveis, mulheres são maioria
Dos 136 centenários do Grande ABC, 64 são mulheres. "Ao contrário do homem, a alimentação da mulher é melhor, a frequência ao médico é maior, além do nível de estresse ser mais baixo. Isso faz com que vivam mais", explicou o geriatra Leonardo Brenal da Faculdade de Medicina do ABC.
Aos 103 anos, a aposentada Maria Júlia Ferreira, de São Bernardo, contou que o segredo para chegar onde está é a fé. "Enxergo bem pouquinho, mas não tenho nenhuma doença. Agora tomo remédio para o estômago", contou a mineira, que é devota de Nossa Senhora.
Há três anos, ela vive na Casa dos Velhinhos Dona Adelaide por vontade própria. Com a morte do marido, passou a ficar a cada 15 dias na casa de um dos filhos. "Meus filhos sempre foram bonzinhos, mas achei que era melhor não atrapalhá-los e vim morar na Dona Adelaide. Sou feliz, tenho amigos e sempre vou visitá-los ou eles vêm aqui."
Ativa
Quem olha para a Maria Fernandes Filipim, 102, não imagina que os seus passeios favoritos são ir ao estádio de futebol para ver o Palmeiras jogar, além de ir a restaurantes e barzinhos. Sem falar nas viagens: a última, um cruzeiro, foi realizada em março. "Não fiquei com medo. É bonito que só vendo", relembrou.
Vaidosa e independente, a aposentada vai à manicure todos os sábados. "Não é porque a gente fica velha que não deve se cuidar.".
Quando se recorda do passado, a aposentada não esconde a emoção. "Falar da minha vida é um romance." Nascida em Santo Antonio da Boa Vista, no Interior, conheceu o marido na Fábrica de Tecidos Votorantim. "Minha família era espanhola e a dele italiana. Mesmo assim ele lutou para ficar comigo." A filha, Ivone Filipim, 69, comemora a longevidade da mãe. "Ela não tem doença. Come de tudo e é super ativa."
domingo, 22 de maio de 2011
Cidades investem em "repúblicas de vovôs"
Jornal Umuarama - 22 de maio de 2011.
São Paulo - (Folhapress) - Eles dividem as contas e se revezam nos afazeres domésticos. Tudo como em uma república universitária, não fosse por um detalhe: eles têm mais de 60 anos.
Várias prefeituras do país estão investindo nas repúblicas de "vovôs''. A ideia é oferecer uma opção de moradia a idosos com autonomia física e mental, mas que têm vínculos familiares frágeis e não querem viver sós.
A cidade de Santos foi uma das primeiras, há 15 anos. Hoje, a prefeitura mantém quatro repúblicas, com cerca de dez idosos cada uma. Os moradores decoram o quarto, limpam, cozinham e podem sair a hora que quiser.
"Pode até chegar à meia-noite'', diz o ex-jogador de futebol Cláudio Marciano de Queiroz, 81, morador da república Vitória há dez anos. Na república Bem Viver, também em Santos, a cozinha é de uso livre e a limpeza é dividida por dias da semana. O serviço pesado, porém, fica para uma funcionária.
Divorciado, Mário Vergara, 72, diz que chegou à república, de onde não pretende sair, após se mudar para Santos. Lá, paga R$ 90 de aluguel, luz e água.
Modelo
Do litoral paulista, as repúblicas se espalharam para outras cidades. Em Bauru (SP), por exemplo, uma casa mista deve ficar pronta no segundo semestre. Lá, todos os custos serão cobertos pelo município, que pretende investir até R$ 10 mil por mês.
Para a titular da Secretaria de Bem-Estar Social de Bauru, Darlene Tendolo, a diferença para um asilo está em deixar os idosos cuidarem um do outro. "Não tem um funcionário para dizer: "Está na hora de dormir!''' São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte e Divinópolis (MG) têm projetos parecidos.
Todas abrigam somente "vovós'': em Rio Preto, onde a república foi inaugurada em julho passado, são cinco. BH tem sete, que contribuem com até 70% da renda e palpitam em tudo. Já em Divinópolis são oito, em duas casas.
Em todas as cidades, a seleção é feita por assistentes sociais e o alvo são idosos que recebem até dois salários mínimos. "São pessoas que vieram de lugares diferentes e formam uma família'', diz a coordenadora do projeto em Santos, Celiana Nunes.
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Cláudia Fló, o benefício desse modelo está em permitir uma vida social.
A gerontóloga também elenca alguns riscos. "Talvez as pessoas que convivem com o idoso na casa não tenham o olhar crítico que os profissionais de saúde teriam'', afirma. Por isso, as prefeituras precisam supervisionar a saúde deles.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Governo quer acabar com aposentadoria antes dos 65 anos
Governo defende fixação de idade mínima para trabalhador deixar mercado. Proposta vale para quem começa agora. Ministro quer ainda fórmula que soma a idade e o tempo
Marinella Castro -
Publicação: 19/05/2011 06:00 Atualização: 19/05/2011 06:14
Saiba mais...
Mudanças na aposentadoria podem abranger outras pensões
O governo pretende mudar as regras da aposentadoria no país. A ideia é trocar o atual fator previdenciário pela fórmula 85/95, que reúne idade e tempo de contribuição. Mas para quem está ingressando hoje no mercado de trabalho seria fixada a idade mínima de 65 anos para aposentadoria. O governo passado já havia tentado emplacar a fórmula em 2009, mas a proposta foi rejeitada pelo Senado. A fórmula 85/95 permite que o benefício seja integral, quando a soma da idade com o tempo da contribuição previdenciária atinge 85 anos para as mulheres e 95 anos para os homens.
Segundo o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, que defendeu a proposta nessa quarta-feira no Senado, o fator foi criado para adiar o tempo de aposentadoria, mas na verdade teve como efeito provocar uma redução dos valores recebidos pela aposentadoria, já que os brasileiros estão optando por parar de trabalhar mais cedo. Para a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger, com o fim do fator, a população perderá o direito de se aposentar antes dos 65anos, o que é um complicador, apesar do aumento da expectativa de vida. “Há um prejuízo para o trabalhador, que ao atingir uma determinada idade sofre com a redução da empregabilidade.” Ela ressaltou também que o brasileiro ainda não consegue manter a saúde à medida que envelhece a ponto de enfrentar com tranquilidade as pressões do mercado de trabalho.
O fator previdenciário é uma fórmula que leva em conta o tempo de contribuição do trabalhador, sua idade e a expectativa de vida no momento da aposentadoria, o que pode elevar ou reduzir o valor do rendimento. Devido ao fator, quanto menor é a idade do segurado, menor é o valor do benefício. Segundo o presidente da Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais, Robson Bittencourt, a expectativa era que o veto do presidente Lula ao fim do fator previdenciário fosse apreciado no dia 11. A federação foi uma das entidades que lideraram a campanha pelo fim da fórmula. “Essa proposta é uma antecipação da derrubada do fator, prestes a ocorrer no Congresso Nacional.” Segundo ele, com a mudança da regra o governo tenta emplacar a fórmula 85/95. “Essa proposta não melhora em nada as condições da aposentadoria no país. Um cálculo mais factível seria o 80/90, para mulheres e homens (respectivamente)”, completa.
Para Lásaro Cândido da Cunha, especialista em direito previdenciário, a proposta do governo é “uma barganha” com pouco efeito na melhoria do sistema. “Já existe uma pressão enorme para a extinção do fator. O sistema chegou à exaustão.” Ele defende reformas mais amplas. “Inclusive com uma posição mais bem definida do governo sobre a previdência dos servidores.”
Atualmente o trabalhador pode se aposentar com qualquer idade, contanto que tenha um tempo de contribuição de 30 anos, no caso das mulheres, e 35, no caso dos homens. Também existe a possibilidade de aposentadoria por idade: 60 anos para as mulheres e 65 para os homens.
Servidores públicos
O ministro Garibaldi Alves também defendeu a aprovação do Projeto de Lei nº 1.992/07, que institui o regime de previdência complementar para o servidor público federal titular de cargo efetivo. A matéria está tramitando na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. De acordo com o ministro a aprovação do projeto seria uma forma de “estancar a sangria” de recursos públicos decorrente do déficit da Previdência dos servidores públicos federais.
O projeto de lei cria uma fundação para custear a aposentadoria dos servidores titulares de cargo efetivo da União (inclusive das suas autarquias e fundações), do Poder Judiciário, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU). Os servidores atuais não são obrigados a aderir ao plano de previdência a ser criado.
O ministro informou ainda que serão criadas 720 agências da Previdência Social no país, em municípios com mais de 20 mil habitantes. A Previdência também vai lançar novo modelo de perícia médica para simplificar o acesso aos benefícios.
Marinella Castro -
Publicação: 19/05/2011 06:00 Atualização: 19/05/2011 06:14
Saiba mais...
Mudanças na aposentadoria podem abranger outras pensões
O governo pretende mudar as regras da aposentadoria no país. A ideia é trocar o atual fator previdenciário pela fórmula 85/95, que reúne idade e tempo de contribuição. Mas para quem está ingressando hoje no mercado de trabalho seria fixada a idade mínima de 65 anos para aposentadoria. O governo passado já havia tentado emplacar a fórmula em 2009, mas a proposta foi rejeitada pelo Senado. A fórmula 85/95 permite que o benefício seja integral, quando a soma da idade com o tempo da contribuição previdenciária atinge 85 anos para as mulheres e 95 anos para os homens.
Segundo o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, que defendeu a proposta nessa quarta-feira no Senado, o fator foi criado para adiar o tempo de aposentadoria, mas na verdade teve como efeito provocar uma redução dos valores recebidos pela aposentadoria, já que os brasileiros estão optando por parar de trabalhar mais cedo. Para a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger, com o fim do fator, a população perderá o direito de se aposentar antes dos 65anos, o que é um complicador, apesar do aumento da expectativa de vida. “Há um prejuízo para o trabalhador, que ao atingir uma determinada idade sofre com a redução da empregabilidade.” Ela ressaltou também que o brasileiro ainda não consegue manter a saúde à medida que envelhece a ponto de enfrentar com tranquilidade as pressões do mercado de trabalho.
O fator previdenciário é uma fórmula que leva em conta o tempo de contribuição do trabalhador, sua idade e a expectativa de vida no momento da aposentadoria, o que pode elevar ou reduzir o valor do rendimento. Devido ao fator, quanto menor é a idade do segurado, menor é o valor do benefício. Segundo o presidente da Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais, Robson Bittencourt, a expectativa era que o veto do presidente Lula ao fim do fator previdenciário fosse apreciado no dia 11. A federação foi uma das entidades que lideraram a campanha pelo fim da fórmula. “Essa proposta é uma antecipação da derrubada do fator, prestes a ocorrer no Congresso Nacional.” Segundo ele, com a mudança da regra o governo tenta emplacar a fórmula 85/95. “Essa proposta não melhora em nada as condições da aposentadoria no país. Um cálculo mais factível seria o 80/90, para mulheres e homens (respectivamente)”, completa.
Para Lásaro Cândido da Cunha, especialista em direito previdenciário, a proposta do governo é “uma barganha” com pouco efeito na melhoria do sistema. “Já existe uma pressão enorme para a extinção do fator. O sistema chegou à exaustão.” Ele defende reformas mais amplas. “Inclusive com uma posição mais bem definida do governo sobre a previdência dos servidores.”
Atualmente o trabalhador pode se aposentar com qualquer idade, contanto que tenha um tempo de contribuição de 30 anos, no caso das mulheres, e 35, no caso dos homens. Também existe a possibilidade de aposentadoria por idade: 60 anos para as mulheres e 65 para os homens.
Servidores públicos
O ministro Garibaldi Alves também defendeu a aprovação do Projeto de Lei nº 1.992/07, que institui o regime de previdência complementar para o servidor público federal titular de cargo efetivo. A matéria está tramitando na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. De acordo com o ministro a aprovação do projeto seria uma forma de “estancar a sangria” de recursos públicos decorrente do déficit da Previdência dos servidores públicos federais.
O projeto de lei cria uma fundação para custear a aposentadoria dos servidores titulares de cargo efetivo da União (inclusive das suas autarquias e fundações), do Poder Judiciário, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU). Os servidores atuais não são obrigados a aderir ao plano de previdência a ser criado.
O ministro informou ainda que serão criadas 720 agências da Previdência Social no país, em municípios com mais de 20 mil habitantes. A Previdência também vai lançar novo modelo de perícia médica para simplificar o acesso aos benefícios.
Mineira de 114 anos leva a vida com bom humor e muita pimenta
18/05/2011 15h43 - Atualizado em 19/05/2011 09h51
Segundo bisneta, empadinha com pimenta é uma das comidas preferidas.
Vó Quita completa 115 em julho deste ano.
Reconhecida pelo Guinness como a pessoa viva mais velha do mundo, a mineira Maria Gomes Valetim leva uma vida tranquila no interior de Minas Gerais. Aos 114 anos, Vó Quita – como é conhecida na cidade – é cercada de cuidados próprios da idade, é vaidosa e se rende a alguns caprichos na alimentação, de acordo com a bisneta Taís Nolasco, que contou ao G1 a rotina desta brasileira centenária. Vó Quita passou a infância na roça e hoje vive em um sobrado no centro de Carangola, na Zona da Mata mineira.
O segredo de viver tanto parece simples, não requer dieta e dispensa medicamentos para controlar a pressão ou o colesterol. “Sempre que perguntamos isso [o segredo], ela responde: cuidar só da minha vida, só isso", falou a bisneta. Um cochilo depois do almoço, pimenta e três dedinhos de vinho ajudam no caso de Maria Gomes Valentim. Segundo Taís, a bisavô adora pãozinho, refrigerante e costuma lanchar à tarde uma empadinha de frango apimentada. “Tudo dela tem que ter pimenta, mas muita pimenta”, disse. O salgadinho é um tipo de tradição, que era comprado na porta de casa e agora o fabricante já acrescenta pimenta para atender a um pedido da cliente, hoje preferencial, segundo Taís. O vinho é só de vez em quando. “ A última que ela tomou vinho foi há dois meses”, contou.
Bom humor ajudou em alguns momentos a aliviar a idade avançada. "Até os 110 anos, ela ia ao banco, à padaria. O pessoal do banco já estava acostumado. Ela furava a fila do idoso, porque era a mais velha de todos ali. Para ela precisava da fila do superidoso”, lembrou a bisneta.
Tão acostumada a festejá-los, Vó Quita adora aniversários e já se prepara para mais um, em 9 de julho. Na comemoração dos 115 anos, ela deve receber formalmente a homenagem do livro dos recordes. “Vai ser aniversário de debutante, de 15 anos, brincamos assim (risos)”, conta Taís. “A gente vai fazer como em todos os anos, reunir a família, os vizinhos, sem pretensão de grande festa. O pessoal do Guinness quer vir para entregar o certificado”.
De acordo com a Taís, a notícia do reconhecimento já foi dada. “Parece que ela estava esperando, porque hoje acordou bem disposta”. Desde ontem, os parentes já sabiam que a notícia ganharia repercussão internacional nesta quarta-feira (18).
Mesmo com dificuldade de locomoção devido a uma fratura no fêmur, com restrição da audição e da visão – sequelas da idade – e com um marca-passo usado há quase 15 anos, Maria Gomes Valentin não é de reclamar da vida, segundo o perfil carinhoso traçado pela bisneta. “Ela passa por momentos de bastante satisfação, mas fica triste também. No geral, eu creio que é uma pessoa feliz, não é de reclamar muito", disse a bisneta. No dia a dia, ela recebe a atenção de duas cuidadoras, que a ajudam a andar e a tomar banho.
Vó Quita se casou aos 16 anos, em 1913, teve um único filho, que já faleceu. Era a mais velha de seis irmãos e já enterrou todos. O pai viveu muito, passou dos 90; já a mãe morreu com pouco mais de 50. A mulher e pessoa mais velha do mundo ficou viúva em 1946 e, quando casada, se dedicou às tarefas domésticas. Do casamento, lembranças foram repassadas. “Ela conta que, quando era casada, deixava o marido em casa cuidando do filho, montava no cavalo e ia para o forró”, disse Taís, que justificou dizendo que o bisavô era muito caseiro e a bisavó adorava dançar. “Sempre viveu muito bem no tempo que era casada. Ela é uma pessoa da paz”, disse.
Segundo bisneta, empadinha com pimenta é uma das comidas preferidas.
Vó Quita completa 115 em julho deste ano.
Reconhecida pelo Guinness como a pessoa viva mais velha do mundo, a mineira Maria Gomes Valetim leva uma vida tranquila no interior de Minas Gerais. Aos 114 anos, Vó Quita – como é conhecida na cidade – é cercada de cuidados próprios da idade, é vaidosa e se rende a alguns caprichos na alimentação, de acordo com a bisneta Taís Nolasco, que contou ao G1 a rotina desta brasileira centenária. Vó Quita passou a infância na roça e hoje vive em um sobrado no centro de Carangola, na Zona da Mata mineira.
O segredo de viver tanto parece simples, não requer dieta e dispensa medicamentos para controlar a pressão ou o colesterol. “Sempre que perguntamos isso [o segredo], ela responde: cuidar só da minha vida, só isso", falou a bisneta. Um cochilo depois do almoço, pimenta e três dedinhos de vinho ajudam no caso de Maria Gomes Valentim. Segundo Taís, a bisavô adora pãozinho, refrigerante e costuma lanchar à tarde uma empadinha de frango apimentada. “Tudo dela tem que ter pimenta, mas muita pimenta”, disse. O salgadinho é um tipo de tradição, que era comprado na porta de casa e agora o fabricante já acrescenta pimenta para atender a um pedido da cliente, hoje preferencial, segundo Taís. O vinho é só de vez em quando. “ A última que ela tomou vinho foi há dois meses”, contou.
Bom humor ajudou em alguns momentos a aliviar a idade avançada. "Até os 110 anos, ela ia ao banco, à padaria. O pessoal do banco já estava acostumado. Ela furava a fila do idoso, porque era a mais velha de todos ali. Para ela precisava da fila do superidoso”, lembrou a bisneta.
Tão acostumada a festejá-los, Vó Quita adora aniversários e já se prepara para mais um, em 9 de julho. Na comemoração dos 115 anos, ela deve receber formalmente a homenagem do livro dos recordes. “Vai ser aniversário de debutante, de 15 anos, brincamos assim (risos)”, conta Taís. “A gente vai fazer como em todos os anos, reunir a família, os vizinhos, sem pretensão de grande festa. O pessoal do Guinness quer vir para entregar o certificado”.
De acordo com a Taís, a notícia do reconhecimento já foi dada. “Parece que ela estava esperando, porque hoje acordou bem disposta”. Desde ontem, os parentes já sabiam que a notícia ganharia repercussão internacional nesta quarta-feira (18).
Mesmo com dificuldade de locomoção devido a uma fratura no fêmur, com restrição da audição e da visão – sequelas da idade – e com um marca-passo usado há quase 15 anos, Maria Gomes Valentin não é de reclamar da vida, segundo o perfil carinhoso traçado pela bisneta. “Ela passa por momentos de bastante satisfação, mas fica triste também. No geral, eu creio que é uma pessoa feliz, não é de reclamar muito", disse a bisneta. No dia a dia, ela recebe a atenção de duas cuidadoras, que a ajudam a andar e a tomar banho.
Vó Quita se casou aos 16 anos, em 1913, teve um único filho, que já faleceu. Era a mais velha de seis irmãos e já enterrou todos. O pai viveu muito, passou dos 90; já a mãe morreu com pouco mais de 50. A mulher e pessoa mais velha do mundo ficou viúva em 1946 e, quando casada, se dedicou às tarefas domésticas. Do casamento, lembranças foram repassadas. “Ela conta que, quando era casada, deixava o marido em casa cuidando do filho, montava no cavalo e ia para o forró”, disse Taís, que justificou dizendo que o bisavô era muito caseiro e a bisavó adorava dançar. “Sempre viveu muito bem no tempo que era casada. Ela é uma pessoa da paz”, disse.
Para centenários de MG, trabalho e música são segredos da longevidade
19/05/2011 08h48 - Atualizado em 19/05/2011 08h51 - G1
Mineira foi reconhecida como a pessoa mais velha do mundo nesta quarta (18).
IBEG apontou que Minas é o terceiro estado com mais pessoas centenárias.
O médico Alcindo Henriques e o ex-maestro Israel dos Santos, que moram na Região Metropolitana de Belo Horizonte, têm um século de vida. Conhecer pessoas como eles vai ser cada vez mais comum em Minas Gerais, que tem um total de 2.597 centenários, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Maria Gomes Valentim, de 114 anos, nasceu em 9 de julho de 1896 e tem 48 dias de vida a mais que a antiga detentora do recorde, a norte-americana Besse Cooper.
O estudo do IBEG apontou também que Minas é o terceiro estado brasileiro com mais pessoas centenárias.
Para Alcindo Henriques e Israel dos Santos, o segredo para a longevidade pode estar em manter o corpo e a mente ocupados.
Mesmo após a aposentadoria, Alcindo continua exercendo a profissão. Toda quarta feira (19), ele sai de casa às 5h, antes de o sol nascer, e enfrenta uma hora no ônibus até Betim, na Grande BH, para visitar pacientes, que atende gratuitamente. "Pegar o ônibus mais cedo é melhor pra mim. Eu vou sentado", diz.
Dr. Alcindo trabalhou na Colônia Santa Isabel durante muitos anos. A clínica é especializada no tratamento de idosos. "Eu sou satisfeito de estar servindo ao meu próximo", diz o clínico geral, que atende há 74 anos. O centro cirúrgico onde ele trabalhava leva o nome dele. "Enquanto tiver força pra andar, vou fazer minhas visitas domiciliares. O que eu faço é um dever meu", completa.
Já para Israel dos Santos, a inspiração da música é o que ajuda a vencer as dificuldades. A história dele se confunde com a de Vespasiano, na Grande BH, onde sempre morou. "Achava difícil chegar lá. Graças a Deus cheguei feliz", diz ele.
Ele relata que tem saudades da juventude e de comandar a banda de música da cidade. "É um prazer estar à frente da nossa banda. Nunca esqueci do meu tempo", diz.
Mineira foi reconhecida como a pessoa mais velha do mundo nesta quarta (18).
IBEG apontou que Minas é o terceiro estado com mais pessoas centenárias.
O médico Alcindo Henriques e o ex-maestro Israel dos Santos, que moram na Região Metropolitana de Belo Horizonte, têm um século de vida. Conhecer pessoas como eles vai ser cada vez mais comum em Minas Gerais, que tem um total de 2.597 centenários, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Maria Gomes Valentim, de 114 anos, nasceu em 9 de julho de 1896 e tem 48 dias de vida a mais que a antiga detentora do recorde, a norte-americana Besse Cooper.
O estudo do IBEG apontou também que Minas é o terceiro estado brasileiro com mais pessoas centenárias.
Para Alcindo Henriques e Israel dos Santos, o segredo para a longevidade pode estar em manter o corpo e a mente ocupados.
Mesmo após a aposentadoria, Alcindo continua exercendo a profissão. Toda quarta feira (19), ele sai de casa às 5h, antes de o sol nascer, e enfrenta uma hora no ônibus até Betim, na Grande BH, para visitar pacientes, que atende gratuitamente. "Pegar o ônibus mais cedo é melhor pra mim. Eu vou sentado", diz.
Dr. Alcindo trabalhou na Colônia Santa Isabel durante muitos anos. A clínica é especializada no tratamento de idosos. "Eu sou satisfeito de estar servindo ao meu próximo", diz o clínico geral, que atende há 74 anos. O centro cirúrgico onde ele trabalhava leva o nome dele. "Enquanto tiver força pra andar, vou fazer minhas visitas domiciliares. O que eu faço é um dever meu", completa.
Já para Israel dos Santos, a inspiração da música é o que ajuda a vencer as dificuldades. A história dele se confunde com a de Vespasiano, na Grande BH, onde sempre morou. "Achava difícil chegar lá. Graças a Deus cheguei feliz", diz ele.
Ele relata que tem saudades da juventude e de comandar a banda de música da cidade. "É um prazer estar à frente da nossa banda. Nunca esqueci do meu tempo", diz.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Número de idosos no País aumenta demanda por fisioterapeutas
Site Terra - 18 de maio de 2011 • 08h46
Melhorar a qualidade de vida dos idosos deve se tornar um grande nicho de mercado para profissionais da saúde, especialmente da fisioterapia, já que lidam com movimento e funcionalidade do corpo. O censo de 2010 do IBGE indicou que o Brasil tem 14 milhões de pessoas com mais de 65 anos, superando o número de crianças com até 4 anos. Este número tende a aumentar - a expectativa do Banco Mundial é de que, em 2050, o Brasil tenha 64 milhões de idosos, 29,7% da população total - e, junto com ele, a necessidade de profissionais preparados para tornar estas pessoas mais capazes para as tarefas do dia a dia. Ou seja, uma boa oportunidade para futuros fisioterapeutas.
"Nesse novo cenário, a fisioterapia tem um papel muito importante, porque não trabalhamos só com a doença, mas também para proporcionar uma qualidade de vida melhor", explica Marcelo Velloso, coordenador do colegiado de graduação de Fisioterapia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Velloso afirma que, além da disciplina de Geriatria, os alunos da UFMG também podem fazer estágio na área dentro da faculdade, mas que as vagas são bem disputadas.
"Os estudantes já conseguem vislumbrar o futuro e querem estar preparados", afirma. Porém, os profissionais que desejam abocanhar essa fatia do mercado devem saber que trabalhar com Geriatria exige uma formação ampla. É como um médico clínico, ele deve entender da saúde do paciente em todos os aspectos, especialmente quando se trata do idoso, que normalmente já tem condições mais debilitadas.
A área é tão complexa que Pollyanna Silva, 25 anos, estudou Fisioterapia por cinco anos, graduou-se no ano passado e em 2011 já buscou uma pós-graduação no assunto. "O idoso não tem só um problema pontual. Às vezes dói o joelho, mas também se sente sozinho. No curso, aprendemos até aspectos motivacionais, para saber como lidar com o outro", conta.
A mineira também está aprendendo nas aulas a perceber as limitações do idoso. "Ele não vai caminhar da mesma maneira que um jovem. Então, o nosso objetivo é ajudá-lo a ser o mais independente possível, para que ele possa conviver com as suas doenças, mas mantendo a sua rotina", diz a aluna que trabalha em uma clínica de fisioterapia e faz atendimento domiciliar de idosos.
Pollyanna conta que, na hora de buscar emprego na área, percebeu que as instituições estão exigindo essa formação específica. Com tanta demanda, o ensino não ficou para trás e já há no País diversos cursos de pós-graduação em Fisioterapia Geriátrica. Um deles acontece na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Carlos (SP), e está na segunda edição. O coordenador da especialização, José Rubens Rebelatto, conta que a prefeitura da cidade está bastante interessada em profissionais qualificados no assunto e que a procura pelo curso foi tanta que aumentaram a quantidade de vagas do ano passado para cá, de 40 para 55.
Para escolher os candidatos, a seleção é baseada no interesse do profissional pelo tema ao longo de sua formação. "Há uma carência desse especialista no mercado, então queremos formar apenas quem realmente vai trabalhar com isso depois", explica sobre os critérios para inscrição.
De 2003 a 2006, Rebelatto fez pós-doutorado em Fisioterapia Geriátrica na Universidade de Salamanca, na Espanha. O país europeu, que possui menos de 50 milhões de habitantes, tem quase 8 milhões de idosos de acordo com o Instituto Nacional de Estadística espanhol. A grande parcela formada pela terceira idade atualmente provocou, anos atrás, a mudança que ocorre hoje no Brasil em relação ao ensino da Fisioterapia. "Eles já estão muito avançados no estudo da Geriatria", recorda o coordenador da pós-graduação na UFSCar.
De acordo com Maria Alice Caldas, vice-coordenadora da Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia (Abenfisio) e professora na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), é notável o maior interesse pela área. "Quando me formei, 21 anos atrás, a gente não diferenciava idoso dos adultos", lembra. Agora, as faculdades costumam oferecer disciplinas e estágios específicos na área. "Em congressos, percebo que são apresentados muitos trabalhos acadêmicos sobre essa faixa etária", completa.
Melhorar a qualidade de vida dos idosos deve se tornar um grande nicho de mercado para profissionais da saúde, especialmente da fisioterapia, já que lidam com movimento e funcionalidade do corpo. O censo de 2010 do IBGE indicou que o Brasil tem 14 milhões de pessoas com mais de 65 anos, superando o número de crianças com até 4 anos. Este número tende a aumentar - a expectativa do Banco Mundial é de que, em 2050, o Brasil tenha 64 milhões de idosos, 29,7% da população total - e, junto com ele, a necessidade de profissionais preparados para tornar estas pessoas mais capazes para as tarefas do dia a dia. Ou seja, uma boa oportunidade para futuros fisioterapeutas.
"Nesse novo cenário, a fisioterapia tem um papel muito importante, porque não trabalhamos só com a doença, mas também para proporcionar uma qualidade de vida melhor", explica Marcelo Velloso, coordenador do colegiado de graduação de Fisioterapia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Velloso afirma que, além da disciplina de Geriatria, os alunos da UFMG também podem fazer estágio na área dentro da faculdade, mas que as vagas são bem disputadas.
"Os estudantes já conseguem vislumbrar o futuro e querem estar preparados", afirma. Porém, os profissionais que desejam abocanhar essa fatia do mercado devem saber que trabalhar com Geriatria exige uma formação ampla. É como um médico clínico, ele deve entender da saúde do paciente em todos os aspectos, especialmente quando se trata do idoso, que normalmente já tem condições mais debilitadas.
A área é tão complexa que Pollyanna Silva, 25 anos, estudou Fisioterapia por cinco anos, graduou-se no ano passado e em 2011 já buscou uma pós-graduação no assunto. "O idoso não tem só um problema pontual. Às vezes dói o joelho, mas também se sente sozinho. No curso, aprendemos até aspectos motivacionais, para saber como lidar com o outro", conta.
A mineira também está aprendendo nas aulas a perceber as limitações do idoso. "Ele não vai caminhar da mesma maneira que um jovem. Então, o nosso objetivo é ajudá-lo a ser o mais independente possível, para que ele possa conviver com as suas doenças, mas mantendo a sua rotina", diz a aluna que trabalha em uma clínica de fisioterapia e faz atendimento domiciliar de idosos.
Pollyanna conta que, na hora de buscar emprego na área, percebeu que as instituições estão exigindo essa formação específica. Com tanta demanda, o ensino não ficou para trás e já há no País diversos cursos de pós-graduação em Fisioterapia Geriátrica. Um deles acontece na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Carlos (SP), e está na segunda edição. O coordenador da especialização, José Rubens Rebelatto, conta que a prefeitura da cidade está bastante interessada em profissionais qualificados no assunto e que a procura pelo curso foi tanta que aumentaram a quantidade de vagas do ano passado para cá, de 40 para 55.
Para escolher os candidatos, a seleção é baseada no interesse do profissional pelo tema ao longo de sua formação. "Há uma carência desse especialista no mercado, então queremos formar apenas quem realmente vai trabalhar com isso depois", explica sobre os critérios para inscrição.
De 2003 a 2006, Rebelatto fez pós-doutorado em Fisioterapia Geriátrica na Universidade de Salamanca, na Espanha. O país europeu, que possui menos de 50 milhões de habitantes, tem quase 8 milhões de idosos de acordo com o Instituto Nacional de Estadística espanhol. A grande parcela formada pela terceira idade atualmente provocou, anos atrás, a mudança que ocorre hoje no Brasil em relação ao ensino da Fisioterapia. "Eles já estão muito avançados no estudo da Geriatria", recorda o coordenador da pós-graduação na UFSCar.
De acordo com Maria Alice Caldas, vice-coordenadora da Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia (Abenfisio) e professora na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), é notável o maior interesse pela área. "Quando me formei, 21 anos atrás, a gente não diferenciava idoso dos adultos", lembra. Agora, as faculdades costumam oferecer disciplinas e estágios específicos na área. "Em congressos, percebo que são apresentados muitos trabalhos acadêmicos sobre essa faixa etária", completa.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Desconto de até 30% em plano de saúde para idosos
O Dia On Line
10.05.11 às 01h14
Regra em discussão no governo oferece a cliente que aderir a práticas de prevenção de doenças a vantagem de pagar menos
POR AURÉLIO GIMENEZ
Rio - A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abre consulta pública, a partir da próxima segunda-feira até 14 de junho, para avaliar a criação de incentivos, como descontos e premiações, para usuários de planos de saúde que participarem de programas de envelhecimento saudável. Conforme legislação já em vigor, descontos poderiam chegar a 30% do valor da mensalidade.
Voltada principalmente para idosos, com planos mais caros, a Resolução Normativa, que já está no site da ANS (http://www.ans.gov.br), abrange todas as faixas etárias. Segundo a agência, a implementação de políticas públicas para a terceira idade é uma necessidade apontada pela mudança na pirâmide etária dos brasileiros.
Com isso, o segmento de saúde suplementar tem o desafio de reorganizar um modelo de assistência focado no cuidado integrado das condições crônicas e para a melhoria da saúde. “A partir do dia 16, haverá um link no site da agência para receber as contribuições da sociedade. O tema foi bastante debatido por uma câmara técnica, até chegar à consulta pública”, explicou a gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS, Martha Oliveira.
Segundo ela, o incentivo a programas de promoção do envelhecimento ativo é importante para a prevenção de doenças e mais econômico do que investir em tratamentos para os males decorrentes do envelhecimento. Martha esclareceu que a agência busca normatizar mecanismos com o intuito de incentivar os beneficiários a participar do cuidado de sua própria saúde. Ela disse que a ANS cobra o desenvolvimento de programas de prevenção também das operadoras, e que as empresas estão cientes dos novos desafios.
“As operadoras já desenvolvem ações para hipertensos, grávidas ou para quem tem diabetes. O objetivo é estimular programas que envolvam o envelhecimento”, afirmou.
A Federação Nacional de Saúde Suplementar — que representa 15 grupos de operadoras de assistência à saúde, de um total de 1.183 — informou que examinará os termos da consulta pública e que o tema será debatido entre suas associadas. A Federação divulgou que apresentará suas contribuições durante a consulta pública.
A proposta
OBJETIVO GERAL
- Normatizar a criação de mecanismos com o intuito de incentivar a elaboração por parte das operadoras de saúde e a adesão dos beneficiários a programas de saúde para uma população que envelhece de forma acelerada.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Criar regras para viabilizar a adoção de bônus a cliente idosos, como forma de incentivar que as operadoras de planos de assistência suplementar à saúde desenvolvam programas de promoção da saúde e de envelhecimento ativo.
- Viabilizar a possibilidade de descontos (que podem chegar a 30%) e de premiações para os beneficiários de convênios médicos que participarem de programas de promoção da saúde, de envelhecimento saudável e de prevenção dos riscos e de doenças.
- Estimular o envolvimento dos gestores das operadoras de planos de saúde com os desafios e as oportunidades resultantes do processo de envelhecimento da população brasileira.
- Sinalizar para o mercado da saúde suplementar as potencialidades para a redução de custos assistenciais com uma população que envelhece e passa a participar de programas de prevenção de doenças.
Secretaria recomenda condenação
A Secretaria de Direito Econômico (SDE) recomendou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a condenação do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira e da Federação Nacional dos Médicos por influenciar profissionais a adotar tabela de preços por consultas. A iniciativa teria desencadeado movimento nacional de paralisações e descredenciamentos em massa para forçar o reajuste de honorários.
Em 7 de abril, médicos organizaram boicote contra os valores que recebem dos planos de saúde. Neste dia, eles não atenderam os pacientes dos convênios.
A SDE instaurou investigação contra os planos Amil, Assefaz e Golden Cross para apurar possíveis interrupção do atendimento e eventuais cobranças indevidas.
10.05.11 às 01h14
Regra em discussão no governo oferece a cliente que aderir a práticas de prevenção de doenças a vantagem de pagar menos
POR AURÉLIO GIMENEZ
Rio - A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abre consulta pública, a partir da próxima segunda-feira até 14 de junho, para avaliar a criação de incentivos, como descontos e premiações, para usuários de planos de saúde que participarem de programas de envelhecimento saudável. Conforme legislação já em vigor, descontos poderiam chegar a 30% do valor da mensalidade.
Voltada principalmente para idosos, com planos mais caros, a Resolução Normativa, que já está no site da ANS (http://www.ans.gov.br), abrange todas as faixas etárias. Segundo a agência, a implementação de políticas públicas para a terceira idade é uma necessidade apontada pela mudança na pirâmide etária dos brasileiros.
Com isso, o segmento de saúde suplementar tem o desafio de reorganizar um modelo de assistência focado no cuidado integrado das condições crônicas e para a melhoria da saúde. “A partir do dia 16, haverá um link no site da agência para receber as contribuições da sociedade. O tema foi bastante debatido por uma câmara técnica, até chegar à consulta pública”, explicou a gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS, Martha Oliveira.
Segundo ela, o incentivo a programas de promoção do envelhecimento ativo é importante para a prevenção de doenças e mais econômico do que investir em tratamentos para os males decorrentes do envelhecimento. Martha esclareceu que a agência busca normatizar mecanismos com o intuito de incentivar os beneficiários a participar do cuidado de sua própria saúde. Ela disse que a ANS cobra o desenvolvimento de programas de prevenção também das operadoras, e que as empresas estão cientes dos novos desafios.
“As operadoras já desenvolvem ações para hipertensos, grávidas ou para quem tem diabetes. O objetivo é estimular programas que envolvam o envelhecimento”, afirmou.
A Federação Nacional de Saúde Suplementar — que representa 15 grupos de operadoras de assistência à saúde, de um total de 1.183 — informou que examinará os termos da consulta pública e que o tema será debatido entre suas associadas. A Federação divulgou que apresentará suas contribuições durante a consulta pública.
A proposta
OBJETIVO GERAL
- Normatizar a criação de mecanismos com o intuito de incentivar a elaboração por parte das operadoras de saúde e a adesão dos beneficiários a programas de saúde para uma população que envelhece de forma acelerada.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Criar regras para viabilizar a adoção de bônus a cliente idosos, como forma de incentivar que as operadoras de planos de assistência suplementar à saúde desenvolvam programas de promoção da saúde e de envelhecimento ativo.
- Viabilizar a possibilidade de descontos (que podem chegar a 30%) e de premiações para os beneficiários de convênios médicos que participarem de programas de promoção da saúde, de envelhecimento saudável e de prevenção dos riscos e de doenças.
- Estimular o envolvimento dos gestores das operadoras de planos de saúde com os desafios e as oportunidades resultantes do processo de envelhecimento da população brasileira.
- Sinalizar para o mercado da saúde suplementar as potencialidades para a redução de custos assistenciais com uma população que envelhece e passa a participar de programas de prevenção de doenças.
Secretaria recomenda condenação
A Secretaria de Direito Econômico (SDE) recomendou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a condenação do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira e da Federação Nacional dos Médicos por influenciar profissionais a adotar tabela de preços por consultas. A iniciativa teria desencadeado movimento nacional de paralisações e descredenciamentos em massa para forçar o reajuste de honorários.
Em 7 de abril, médicos organizaram boicote contra os valores que recebem dos planos de saúde. Neste dia, eles não atenderam os pacientes dos convênios.
A SDE instaurou investigação contra os planos Amil, Assefaz e Golden Cross para apurar possíveis interrupção do atendimento e eventuais cobranças indevidas.
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