sexta-feira, 25 de março de 2011

População de Minas envelhece e cidades incham.

Com base no universo do Censo 2010, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Centro de Estudos de Políticas Públicas da Fundação João Pinheiro divulgou quinta-feira análise sobre o recorte demográfico do estado, que surpreendeu as expectativas de projeção populacional: na última década, houve queda significativa no crescimento anual da população mineira. Segundo o pesquisador Olinto Nogueira, responsável pelo estudo, a população está envelhecendo mais, enquanto a taxa de fecundidade está reduzida. Outro dado importante mostra que apenas 15% da população no estado é considerada rural.

A análise mostra que a taxa de crescimento demográfico anual foi de 0,91%, entre 2000 e 2010. Nos anos anteriores, esse percentual chegava a 1,5%. A mudança se traduziu ainda em queda da participação da população mineira, de 11% para 10%, no total do país. De acordo com o pesquisador, a retração do crescimento populacional está diretamente ligada à queda na taxa de fecundidade.

“A participação da população de até 4 anos está diminuindo. Isso acontece em decorrência, por exemplo, da urbanização e da inserção da mulher no mercado de trabalho. A estimativa é de que a taxa de fecundidade seja de 1,80 filho por mulher em idade reprodutiva, que vai de 15 a 49 anos, quando a taxa de reposição necessária para manter a quantidade da população seria de 2,1 filhos por mulher”, explicou o pesquisador.

No último censo, a participação da faixa etária de até 4 anos no total da população caiu de 9% para 6,5%. Em contrapartida, a população com mais de 65 anos representa 8,2% (no censo anterior, a taxa correspondia a 6,2%). “Para se ter uma ideia, em 1970, a taxa era de cinco filhos por mulher em idade reprodutiva. A redução nessa taxa é um fenômeno no país todo e apenas o interior da região Norte do Brasil apresenta um número mais alto, em torno de quatro filhos. É possível especular que em Belo Horizonte, por exemplo, esse número seria ainda menor do que em todo o estado de Minas”, afirmou o pesquisador, que ainda espera a amostragem do Censo 2010 para confirmar a suposição.

Segundo a análise da Fundação João Pinheiro, somente quatro estados tiveram taxa de crescimento menor do que a de Minas Gerais: Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Paraíba. Para Olinto Nogueira, houve praticamente uma inversão na população, no que diz respeito à análise da vida no campo. Segundo ele, a maioria dos municípios (80%) perdeu população rural. Cinco deles apresentam taxa de crescimento negativa: Belo Horizonte, Confins e Vespasiano, na Região Metropolitana, São Lourenço, no Sul de Minas, e Santa Cruz de Minas, na Região Central do estado. A análise dos dados do Censo 2010 mostra que 85,3% da população é urbana.

“Isso indica que cerca de 736 mil pessoas deixaram o setor rural no estado, na última década, montante maior que a população total em qualquer outro município, sem contar a capital. Minas sempre foi um estado que mais expulsava população do que recebia, mas o que chama a atenção é que essa não é mais a razão para a redução da população”, disse ele.

A pesquisa também mostra que o município de Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas, foi o que mais cresceu. A taxa chegou a 7% ao ano e a população quase dobrou em 10 anos, passando de 37,5 mil para 73,7 mil em 2010 – um aumento de 96,5%. Em termos urbanos, a cidade conseguiu a 9ª maior taxa do estado. Na população rural, foi a 2ª maior taxa de Minas.

O professor do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Irineu Rangel Rigotti, destaca que os dados indicam um quadro positivo e ao mesmo tempo preocupante para o país. Segundo ele, os números colocam o Brasil diante de uma janela de oportunidades, que pode ser aproveitada ou não.

“Um aspecto positivo é que o governo vai precisar gastar menos recursos para atender a população em idade escolar e poderia aproveitar o momento para investir pesadamente na qualidade da educação, já que temos um déficit muito grande. Por outro lado, a população idosa aumenta velozmente, fazendo com que haja preocupação com as questões de previdência e atendimento em saúde”, explicou Rigotti.

O demógrafo faz um alerta: “Por enquanto, proporcionalmente, a população em idade ativa ainda sustenta os gastos com a previdência dos aposentados. Mas há um hiato nessa questão, em virtude do crescimento da população idosa e da redução da taxa de fecundidade. O governo precisará estar atento ao futuro”, advertiu ele.

Paula Sarapu - Jornal estado de Minas.

Publicação: 25/03/2011 06:46 Atualização: 25/03/2011 07:15

Idosos vítimas de maus tratos são resgatados em Monte Carmelo

Andréia Silva – Jornal Estado de Minas.
Publicação: 24/03/2011 08:03 Atualização:
Três idosos, um homem, de 61 anos e duas mulheres, de 63 e 66 anos, foram resgatadas de uma residência do Bairro Boa Vista, no município de Monte Carmelo, no Alto Paranaíba, onde estavam vivendo em condições subhumanas. As vítimas estavam debilitadas, sobreviviam se alimentando apenas de farinha, pão e água. Os cômodos da casa, onde os três eram mantidos trancados, exalavam mau cheiro. Todo o imóvel estava lotado de lixo, havia roupas sujas espalhadas por todo o lado, urina, fezes e uma infestação de mosquitos e baratas.

Os três estavam sob a responsabilidade dos dois irmãos, os aposentados J.V.C.P., 71 anos, e M.A.C., 68 anos, que foram detidos pela Polícia Militar. Segundo o sargento Demiron de Souza Oliviera, da 157ª Companhia, do 46º Batalhão, eles chegaram até o imóvel para averiguar denúncias de maus tratos, em cumprimento de um ofício, expedido pelo Ministério Público a pedido da Subsecretaria de Direitos Humanos. “Ficamos em estado de choque com a situação em que os velhinhos viviam. Encontramos os três muito debilitados. Eles eram mantidos em estado precário, não havia nem vaso sanitário para fazer as suas necessidade. Tudo era feito no chão, onde passavam todo o tempo”, informou o policial.

Conforme o policial, em um dos quartos havia vasilhas com pães nos quais baratas passeavam livremente. Sobre a pia e móveis foram encontrados pratos com restos de farinha com água. A idosa de 66 anos afirmou que estava fraca pois era somente essa a alimentação que ela e os irmãos recebiam diariamente. Além da falta de higiene, também foi constatado as más condições estruturais do imóvel, que estava com o telhado caindo lado.

Apenas multa

Os idosos foram levado para o Pronto-Socorro Municipal, onde ficaram internados devido o estado grave de desnutrição. Apesar do descaso dos familiares, cada uma das vítimas recebe um salário mínimo de pensão, ou seja, R$ 545 cada um. Somados, os rendimentos das vítimas chegam a pouco mais de R$ 1.600. Os dois irmãos responsáveis pelos maus tratos foram ouvidos e liberados. Eles assinaram apenas um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) e deverão se apresentar a um juizado, podendo receber como punição apenas a ordem para pagamentos de cestas básicas, prestação serviços comunitários ou multa.

terça-feira, 22 de março de 2011

Falta de políticas públicas transforma idosos em problema familiar

Pedro Rocha Franco -
Publicação: 21/03/2011 07:08 Atualização: 21/03/2011 08:07
 
A falta de políticas públicas no Brasil é apontada como um dos entraves que reduz os idosos a um problema familiar. Depois de trabalhar anos e anos, são poucas as benesses conquistadas, como o direito de não enfrentar filas em bancos e órgãos públicos e um lugar prioritário nos ônibus. E o envelhecimento populacional deve se acentuar nos próximos anos. “Se não conquistarmos políticas públicas, também vamos sofrer o mesmo daqui a uns anos”, alerta a presidente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso e do Conselho Municipal do Idoso, Karla Cristina Giacomin, de 43 anos.

Uma ação proposta por ela seria a disponibilidade de cuidadores públicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), para tomar conta dos vovôs e vovós, como ocorre no Canadá. A proposta possibilita que os filhos possam trabalhar e fazer suas atividades diárias. “Hoje, é obrigação da família cuidar dos idosos. O Estado precisa assumir uma parcela dessa responsabilidade”, diz a especialista em geriatra. Ela ratifica que muitas vezes a pessoa que cuida do idoso não escolhe estar naquela situação e sente-se estressada com a obrigação.

Em janeiro, por meio de uma portaria do Conselho Municipal do Idoso, teve início um diagnóstico que visa garantir melhorias no dia a dia dos senhores e senhoras de cabelos brancos. A proposta é elaborar um documento sobre a situação deles, para identificar os locais mais críticos em número de quedas e atropelamentos de idosos na capital e, a partir daí, criar políticas públicas voltadas para garantir melhorias para a faixa etária.

De acordo com projeções de crescimento populacional, até 2040, um em cada quatro brasileiros será de idosos, estando à frente do número de crianças, e é preciso adaptar as cidades a essa realidade. “Temos de parar de fingir que não vamos ficar velhos”, diz Karla.

Aumenta a violência contra idosos em BH


Pedro Rocha Franco -
Publicação: 21/03/2011 06:20 Atualização: 21/03/2011 07:49



 


"É esperar Deus ajudar para ele voltar para casa. Está me fazendo uma falta danada", Ana Francelina, pensionista        

Suportar o comportamento agressivo do filho mais uma vez ou vê-lo atrás das grades. Por seis dias, a dúvida tirou o sono da pensionista Ana Francelina, que conseguiu coragem e forças para denunciar o filho à polícia. Aos 103 anos, ela clamou por socorro aos vizinhos, para que chamassem a Polícia Militar e contivessem a baderna feita pelo caçula dos 11 filhos. Depois de beber “água batizada”, ou simplesmente cachaça , Geraldo da Cruz Pereira, de 47, aprontou uma bagunça na casa e ameaçou pôr fogo num botijão de gás e explodir a casa com a família dentro. “Fiquei com medo de ele fazer alguma arte”, diz a senhora centenária. Casos como o da família Pereira se repetem diariamente em Belo Horizonte. Estatísticas da Secretaria Estadual de Defesa Social (Seds) mostram a ocorrência de cinco agressões a idosos por dia na capital, chegando a 1.817 no ano passado, fora os casos de subnotificações.

As ocorrências vão desde simples ameaças até casos de lesão corporal, calúnia e até assédio sexual, homicídio e estupro. Mas, como a maioria dos casos de violência contra idosos têm envolvimento de familiares, eles se sentem acuados em denunciar os agressores e preferem continuar convivendo com o problema a ver o agressor ser punido. Ainda assim, seja pelo aumento da população idosa, das ocorrências ou mesmo da coragem em denunciar, os registros têm aumentado: os números mostram que as denúncias feitas em 2010 superam em um terço as registradas entre 1999 e 2001, somando três anos.

Até hoje, quatro meses depois de o filho ser preso – ele estava foragido da Justiça por tentativa de homicídio –, Francelina não sabe se fez o certo e, provavelmente, desconhecia o rumo que o filho iria tomar. “Fiz novena para ele voltar. É esperar Deus ajudar para ele voltar para casa. Está me fazendo uma falta danada”, fala dona Ana, com seu cachimbo na mão e lenço na cabeça, que ela usa para disfarçar a idade. À época do fato, ela resumiu o que sentia no momento do registro do boletim de ocorrência: “Apesar de tudo, não posso falar nada contra ele. Mãe é mãe”.

Ameaças
Nascida em 26 de julho de 1907, Ana Francelina morava sozinha com o filho no Aglomerado da Serra e dependia dele para tarefas diárias. Mas, ao vê-lo quebrar objetos numa sequência enfurecida, teve de tomar uma decisão que, muitas vezes, os pais não têm coragem, tornando-se um caso emblemático em Minas, por ser a idosa mais velha a queixar-se na polícia. “Na maioria das vezes, a denúncia não é feita”, adverte a titular da Delegacia Especializada de Atendimento ao Deficiente e ao Idoso, Joana Margareth Penha.

Ela relata que os casos mais recorrentes são os de ameaça e lesão corporal e estão relacionados ao consumo de drogas e álcool. “O caso mais emblemático é quando um casal se separa por conta de desavenças e o filho retorna para a casa dos pais. Aí começa a usar o dinheiro da pensão da mãe para pagar despesas com drogas e álcool. Ou seja, a ex-mulher se livrou de um problema, mas ele não acabou. Agora é do idoso”, diz a delegada.

Invisíveis

Essa condição, segundo especialistas, revela a invisibilidade do idoso. Suas vontades e direitos têm pouca relevância para os filhos e netos e o uso indevido do dinheiro é só o primeiro fator de uma bola de neve que se cria aos poucos. Na sequência, é registrada uma agressão verbal até chegar à violência física e, em alguns casos, aos crimes tipificados como violentos – homicídio. “Quando a gente é velho, fica cada um por si. As pessoas acham que a velhice e a incapacidade física nunca vão chegar para ela”, afirma a presidente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso e do Conselho Municipal do Idoso, Karla Cristina Giacomin.


Médica especializada em geriatria, ela alerta que é preciso não tolerar a violência e recriminar todas as suas formas. Das mais brandas aos casos mais graves. E considera inclusive a discriminação como uma das formas de violência. “Quando se fala que o idoso não tem direito a opinar, já o estão agredindo”, diz.

Aposentada cai no mesmo golpe três vezes em uma semana em SP


Estelionatários diziam à vítima que parente tinha se envolvido em acidente.
Dois criminosos foram presos em flagrante.

Do G1 SP -
22/03/2011 07h10 - Atualizado em 22/03/2011 07h29

Uma aposentada de 84 anos perdeu R$ 13 mil em uma semana em um golpe aplicado por quatro estelionatários. Por telefone, os criminosos disseram à idosa que uma sobrinha dela havia se envolvido em um acidente de carro e precisava de dinheiro para tirar o carro da oficina.
Em outros dois telefonemas, os estelionatários disseram que a sobrinha da vítima teve que dar entrada em um hospital e precisava de verba para arcar com o tratamento. Uma integrante do grupo se identificava como a sobrinha da idosa.
Após dar dinheiro para os criminosos por três vezes, a idosa, acompanhada por parentes, procurou a polícia. Enquanto conversava com os policiais, ela recebeu várias ligações solicitando mais dinheiro.
Orientada pela polícia, ela marcou um encontro com um motociclista para entregar o dinheiro. Ele apareceu no local combinado e acabou sendo preso em flagrante. Segundo a vítima, era ele que a acompanhava até o banco para que ela retirasse o dinheiro.
Um homem que agia com ele também foi detido. Eles vão responder por crime de extorsão e formação de quadrilha. Os outros suspeitos ainda não foram presos.